Governo vai baixar TJLP em um ponto no primeiro trimestre
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quinta-feira, 30 de dezembro de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 30 (AE) - O governo vai baixar a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) em um ponto porcentual no primeiro semestre de 2000
passando de 12,5% para 11,5% ao ano. A trajetória de queda deverá ser mantida ao longo do ano, segundo revelou hoje o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi. As reduções serão entre meio e um ponto a cada três meses, até chegar a 9% no último trimestre.
Calabi não acredita numa pressão inflacionária causada pelo aumento de tarifas públicas este mês, que, segundo relatório divulgado ontem (29) pelo Banco Central, podem elevar os índices dos primeiros meses do ano. "A inflação nos três primeiros meses do ano deve ficar em 6%", arriscou. "Somados aos 8% do último trimestre deste ano, teremos uma média ponderada de 6,5% e vamos chegar ao fim do ano dentro da meta prevista de 6%."
Considerando a margem técnica de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima, o presidente do BNDES é ainda mais otimista: "Pretendemos reduzir dois pontos da meta de 6%." A TJLP anunciada para o próximo trimestre por Calabi é meio ponto abaixo da anunciada há dez dias pelo diretor de Normas Técnicas do Banco Central, Sérgio Darcy, para o período. A taxa remunera os financiamentos concedidos pelo BNDES para aquisição de máquinas e equipamentos do setor produtivo e é usada também em linhas de crédito agrícola.
Em setembro deste ano, a TJLP, que era baseada nos papéis da dívida interna e externa, passou a ser calculada considerando as metas de inflação do BC e o custo Brasil. Calabi explica que, simultaneamente à perda da rigidez no câmbio, com a desvalorização de janeiro deste ano, a política econômica reforçou o rigor na imposição de metas inflacionárias. Segundo ele, o governo fará tudo o que for necessário para manter os índices estipulados para o ano que vem.
"Se o governo tiver de aumentar os juros, vai aumentar, se tiver de apertar mais, vai apertar e se tiver de gerar novo superávit fiscal também o fará", afirmou. Ele ponderou que este fim de ano apresenta uma conjugação atípica de fatores, formada pela maior oferta monetária devido à ameaça do bug do ano 2000 aliada à colocação maior de moeda no mercado normal de fim ano, o aumento da demanda por bens duráveis devido à redução dos juros, o impacto do aumento nos índices de preço no atacado e o aumento de uma série de tarifas públicas.
Para ele, contratastando com o que classificou de "soltura monetária" de dezembro, o País viverá um janeiro austero, com a perda da sazonalidade da demanda de consumo e uma contração monetária. Dos 12,5% da TJLP atualmente em vigor, 6% correspondem à taxa de juros real; 2% à taxa de juros real do mercado norte-americano, que baliza o mercado internacional, e o restante representa o risco Brasil.
As medidas baixadas ontem (29) pelo BC, para melhorar a captação de capital externo devem, segundo ele, reduzir o custo Brasil. De outro lado, a inflação esperada pelo governo para o último trimestre de 2000 e os três primeiros de 2001 é de 4%. Com isso, no exercício feito pelo presidente do BNDES, a formação da taxa de juros de longo prazo no penúltimo passará a ser a seguinte: 4% de taxa de juros real, 2% de juros norte-americanos e 3% de risco Brasil.
A redução da TJLP, que é calculada trimestralmente, será contínua, segundo previsão do BNDES: 11,5% no primeiro trimestre
10,5% no segundo, 10% no terceiro e 9% no quarto. Segundo Calabi, há fortes garantias para o controle da inflação, que ajudará a reduzir os juros de longo prazo. "O impacto da inflação no atacado não foi e nem será repassado ao varejo e nem reacendeu a indexação", comentou. "A cotação do dólar hoje está a R$ 1,78, o que confirma o processo de revalorização do real e o pico de inflação deste trimestre não deve ter continuidade."
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso já haviam anunciado, neste segundo semestre, que o governo pretendia baixar a TJLP para um dígito no ano que vem, a fim de estimular a volta dos investimentos e a retomada dos empregos. Em dezembro do ano passado, a TJLP estava em 18,06%.


