Governo vai atender flagelados
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domingo, 26 de abril de 1998
Edson Luiz e Isabel Braga Agência Estado 
O governo Federal não vai deixar por conta dos estados a responsabilidade pelo atendimento dos flageladas da seca do Nordeste, que já atinge quase 10 milhões de pessoas. O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu que Brasília deve assumir todas as ações e, para isso, escolheu pessoalmente o coordenador do governo na região. Para chefiar a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), o presidente escolheu o tucano Sérgio Moreira, ex-secretario-executivo do Ministério do Meio Ambiente.
O presidente não quer se esconder atrás da Constituição e deixar a tarefa para os estados, justificou ontem um assessor próximo de Fernando Henrique. Desde o episódio do incêndio em Roraima, quando o governo federal foi acusado de omissão, a imagem do Brasil ficou arranhada no exterior. Desta vez, Fernando Henrique quer evitar um novo desastre.
Moreira é conhecido dentro do governo, já que presidiu a Centrais Hidrelétricas do São Francisco (Chesf) e ficou pelo menos seis meses como secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, e deveria assumir o lugar de Gustavo Krause, mas o ministro acabou não saindo do governo. É ligado ao senador Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL), substituirá o general Nilton Rodrigues e comandará uma das maiores ações assistenciais do governo.
Para atender aos flagelados do Nordeste, o governo federal pretende distribuir milhares de cestas básicas, construir açudes e retomar as frentes de trabalho, além de gerenciar um programa de bolsa-escola. O atendimento emergencial deverá custar em torno de R$ 140 milhões, ainda não garantidos no Orçamento. Mas Moreira poderá recorrer a diversos projetos que estão no Ministério do Planejamento, que chegam a R$ 300 milhões.
Moreira deverá iniciar suas atividades esta semana, já com a distribuição de cestas básicas para mil dos 1.787 municípios que serão beneficiados este ano. Em maio serão atendidas 500 cidades, e outras 500 em junho.
Para auxiliares próximos do presidente, as ações de atendimento ao flageados da seca são obrigação dos governos estaduais. Mas Fernando Henrique quer evitar que um novo desastre arranhe a imagem do governo no exterior.


