Governo vai antecipar informações sobre bancos à CPI
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Vânia Cristino e Soraya de Alencar 
Brasília, 13 (AE) - O governo vai antecipar-se ao pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro e apresentar, na abertura dos trabalhos da CPI, informações que envolvem quebra do sigilo bancário de instituições financeiras. Os dados constarão do relatório em preparação pelo Banco Central. Uma alta fonte do BC garantiu que isso pode ser feito no âmbito da CPI do Senado, que tem poderes para tal.
O ponto central do relatório do BC será a operação de salvamento do Banco Marka. Em 14 de janeiro, o Marka e o Banco FonteCindam compraram dólares do BC a, respectivamente, R$ 1,27 e R$ 1,32, quando a cotação do dólar no dia foi até R$ 1,55 - a média ficou em R$ 1,32.
Os dois bancos haviam sido surpreendidos pela desvalorização do real e estavam em situação difícil na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), por causa de contratos no mercado futuro de câmbio que ficaram sem condições de honrar. Diante da inadimplência dos bancos, o BC optou pela operação de socorro (a venda de dólares por valor abaixo do mercado) para evitar a liquidação dos dois.
Sem querer adiantar o conteúdo do relatório, a fonte do BC disse que a operação de ajuda ao Marka tem de ser vista considerando o momento em que ocorreu: logo após o alargamento da banda cambial, em que o BC tinha o dever de defender o sistema de bandas.
Nova interpretação - "O que se procurava evitar era o pior, ou seja, o fim da banda, o que acabou ocorrendo", disse a fonte
explicando que esse era o risco sistêmico que, até agora, era entendido como sendo o risco da quebradeira no sistema financeiro.
Consciente de que os senadores cobrarão a questão do vazamento de informações privilegiadas para o mercado, o governo também assegurará, na CPI, a divulgação dos resultados da investigação interna montada pelo BC para apurar a participação de funcionários públicos no esquema. "Se houve algum problema e se alguém cometeu algum crime a punição virá, independentemente do cargo que ocupa", garantiu um alto funcionário do governo.
O governo admitiu que é difícil prever as consequências de uma CPI. A preocupação maior, segundo uma fonte, é que a investigação do Senado não se transforme num evento político que dificulte a condução da economia. "Há um medo do desconhecido"
reconheceu a fonte. Ela lembrou, no entanto, que para os investidores estrangeiros a preocupação central é com a política fiscal, que já está dada para os próximos três anos.
Estratégia - Para não deixar dúvidas na CPI, a estratégia do governo, além de fornecer as explicações possíveis, será mostrar que está tomando providências para evitar que fatos semelhantes aos que ocorreram com o Marka e o FonteCindam se repitam no mercado.
Segundo uma fonte, o BC estuda o aumento de capital das instituições financeiras para que possam suportar o risco de mercado. "O BC precisa desenvolver mecanismos prudenciais que evitem a tomada de posição, por parte do sistema financeiro, acima da capacidade de cada instituição." Para isso, o BC deixará de lado o modelo que avalia o risco da instituição só por suas operações ativas (créditos), passando a levar em conta também as posições de câmbio, juro e prazo de cada instituição.


