Governo vai acionar líder sem-terra por declarações
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terça-feira, 29 de julho de 1997
Agência Folha Brasília 
O ministro da Justiça, Íris Rezende, disse ontem que o governo vai entrar com novo pedido junto à Procuradoria Geral da República para que processe João Pedro Stédile, um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por suas declarações incitando a ocupação de escolas públicas fechadas. Anteontem, Stédile disse que os excluídos urbanos não podem ficar alheios à falta de competência dos governantes, que deixam escolas fechadas. Íris Rezende disse que Stédile vai ter de responder na Justiça por suas declarações. Estamos vivendo um regime democrático. Todas as pessoas têm direito de reivindicar, de reclamar, agora o governo não deixará que as pessoas, aproveitando da liberdade e da democracia, arranhem o Estado de Direito, arranhem o regime democrático que custou muito sacrifício à nossa população, afirmou.
O ministro da Justiça disse ainda que todos aqueles que extrapolarem da permissão legal naturalmente vão ser chamados pela Justiça e vão ser julgados pelos possíveis crimes praticados.
Íris Rezende evitou comentar as declarações de Stédile para não criar polêmicas. Nós temos que analisar as declarações do doutor Pedro Stédile mais amplamente, porque outros segmentos estão a bloquear estradas, outros a invadir prédios públicos e outros a incitarem a população - no caso dele - à rebelião.
O governo já pediu à procuradoria que processasse o líder do MST por outras declarações dele. Há cerca de dois meses, Stédile conclamou a população a ocupar terrenos e invadir supermercados como forma de pressionar melhorias nas condições de vida.
O ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause, ironizou ontem, no Rio, o líder do MST. Ao ser perguntado sobre as declarações de Stédile, o ministro disse que o conteúdo e a contemporaneidade de sua proposta são como um disco de vinil tocado num gramofone.


