Governo usa violência para fechar bingos
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2003
Luciana Pombo e Leandro Donatti 
Curitiba - O governo do Estado precisou usar de violência ontem para conseguir manter fechadas quatro casas de bingo que conseguiram alvará de funcionamento da Prefeitura de Curitiba, baseadas na regulamentação municipal da Lei Federal Complementar 116, que prevê cobrança de ISS dos bingos; e em outra lei municipal (Lei Camargo) que trata da concessão de autorização para a abertura desse tipo de estabelecimento. Policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) e do 12º Batalhão da Polícia Militar fizeram um cordão de isolamento em dois bingos no centro de Curitiba, que chegaram a funcionar normalmente por pouco mais de duas horas.
Todas as pessoas que estavam dentro dos estabelecimentos foram obrigadas a permanecer dentro dos locais onde as pedras de bingo estavam sendo cantadas. Os funcionários se rebelaram e tentaram reagir ao fechamento das casas. Tentaram furar o cordão de isolamento. A funcionária Marilza Jutel, 32 anos, foi atingida por uma bomba de efeito moral e chegou a ficar desacordada por alguns segundos. Mãe de três filhos, Marilza disse que apenas queria trabalhar para sustentar os filhos. Ela foi encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de lesão corporal.
Uma pessoa chegou a ser presa pelos policiais civis por suposto desacato a autoridade. Mas acabou sendo liberada. ''Eles apenas me apertaram bastante. Mas está tudo bem. Só quero ir embora'', reclamava um rapaz que preferiu não ser identificado pela reportagem da Folha. O vereador Fábio Camargo (PFL), autor da lei municipal que regulamenta a concessão de alvarás, tentou resistir ao fechamento dos bingos. Com o apoio dos frequentadores e funcionários, ele conseguiu quebrar uma das portas de entrada. ''Isso é um desrespeito, uma ditadura. Temos o alvará. Estamos dentro da legalidade. Vocês é que estão sendo inconstitucionais'', gritava ele aos policiais.
Os microfones e a iluminação foram cortados. Camargo resolveu sair pela saída de emergência para evitar um conflito armado, anunciado pelos policiais que disseram que fariam o fechamento de qualquer forma. ''Recebi a ordem de fechar os bingos e vim cumprir a ordem. Ninguém tinha a orientação de jogar bombas ou provocar ações agressivas. Tivemos que agir da forma que pudemos para garantir o fechamento da casa'', disse ontem o delegado titular do Cope, Marcus Michelotto.
Até o chegada do delegado titular do Cope, os policiais militares e civis que foram até as duas casas de bingo haviam aceitado o alvará expedido pela prefeitura. O capitão Marco Aurélio Paredes Czerwonka, da PM, disse em entrevista à imprensa, pouco antes da confusão, que não fecharia as casas que tivessem o alvará municipal. ''Os bingos que tiverem essa permissão, não terei poder legal para fechar'', afirmava ele. O delegado do Cope, Messias da Rosa, disse que caberia ao Estado entrar na Justiça e declarar a inconstitucionalidade do alvará expedido pela prefeitura. ''A casa vai ficar aberta porque tem alvará. O governo tem que resolver isso na Justiça'', declarava minutos antes da confusão de culminou com os fechamentos.


