Os oficiais de Justiça da comarca de Ortigueira, na região central do Estado, Gilmar Massalak e Antonio Toshiaki Kiya, que acompanharam a desocupação da Fazenda Santa Maria, no dia 29 de abril, negam as denúncias de uso de violência por parte da Polícia Militar. A informação foi divulgada ontem pela Secretaria da Comunicação Social. Segundo a nota, os oficiais afirmaram que também não houve agressão na prisão de seis líderes sem-terra, detidos sob acusação de cárcere privado, porte ilegal de armas, roubo de tratores e matança de gado. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) declarou que os acampados presos sofreram tortura e ameaças.
A nota do governo afirma que a versão dos oficiais de Justiça é confirmada pelo capataz da fazenda, Nelson Bataglia, e a mulher dele, Angélica Ribeiro, que foram mantidos em cárcere privado pelos sem-terra. Acrescenta que o major Durval Pinto, do comando do Batalhão de Polícia Militar de Ponta Grossa, que atuou na desocupação da área, e o tenente Edmauro de Oliveira Assunção, que coordenou a ação de reintegração de posse, também desmentem a versão do MST de que os policiais foram violentos durante a operação. ‘‘A reintegração foi feita sem problemas, de forma rápida. Chegamos ao local por volta das 11 horas e 20 minutos, depois que os sem-terra já tinham concordado em sair’’, relata Gilmar Massalak. Os oficiais de Justiça, segundo a nota, confirmam a apreensão de armas e munições no acampamento e afirmam que havia na fazenda 25 homens e não 60 famílias.
A nota da Secretaria da Comunicação argumenta que os laudos assinados pelo médico Milton José da Silva Ribas e pelo perito Carlos Beltrami confirma esta versão. De acordo com Ribas e Beltrami, quatro sem-terra - Aristides dos Santos Lisboa, Arlindo de Mattos, José Pedro Calixtro e Luiz Casturino de Souza - não apresentaram nenhuma espécie de lesão no corpo. Todos alegavam que haviam sofrido ‘‘ferimentos por agressão de policiais militares’’, por volta das 11 horas do dia 29 de abril.
Os outros dois presos - Valdecir Bordignon e Lourival Lesse - possuíam ‘‘equimoses’’ e ‘‘escoriações’’, mas segundo o laudo do médico e do perito, elas não foram produzidas ‘‘por meio de veneno, fogo, explosivo, asfixia ou tortura ou por outro meio insidioso ou cruel’’. O laudo afirma que as lesões constatadas poderiam ter sido produzidas ‘‘em torno de seis dias’’ antes do exame. A prisão dos sem-terra aconteceu três dias antes dos exames.

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