Governo tinha plano para desobstrução
Agência Estado
De São Paulo
O governo federal já tinha montado um plano emergencial com os governadores para realizar uma grande operação, com a participação do Exército, para desobstruir várias rodovias brasileiras, consideradas artérias para o abastecimento de alimentos e combustíveis.
Os comandos do Exército no País foram avisados que a qualquer momento poderiam entrar em ação, mas as tropas seriam mobilizadas só se a negociação fracassasse. O plano foi abortado no início da tarde de ontem, quando o ministro da Justiça, José Carlos Dias, começou a receber relatórios das polícias Federal e Rodoviária Federal, mostrando que o movimento dos caminhoneiros começava a se dissipar.
A Força Aérea Brasileira (FAB) já tinha preparado um avião para o ministro José Carlos Dias viajar a São Paulo. O ministro sobrevoaria os pontos de maior obstrução e daria um telefonema ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que autorizaria imediatamente a participação do Exército em operações que já tinham sido estudadas de forma conjunta com as polícias federais e estaduais.
Não houve necessidade de intervenção do Exército, anunciou ontem, aliviado, o ministro da Justiça, por volta de 17 horas. O ministro mostrou o relatório de 15h45 com a situação da greve em todo o País, que mostrava desobstrução total em São Paulo.
São Paulo era a maior preocupação do governo, pois mais de 80% dos alimentos comercializados no País são transportados por caminhão e grande parte dos industrializados saem de São Paulo. O governo também considerava crítica a situação do abastecimento de combustíveis, que poderia entrar em colapso em algumas cidades se a greve durasse mais um dia.
O mesmo relatório mostrava que somente dois pontos estavam sendo considerados críticos pela Polícia Rodoviária. Era uma rodovia que corta a cidade de Sete Lagoas, em Minas Gerais, e um trevo em Araucária, no Paraná.
A solução para o impasse instalado na quarta-feira entre o governo federal e os caminhoneiros começou a ser articulada na madrugada de quinta-feira. Escalado para agir, o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, manteve contatos telefônicos com o líder do movimento União Brasil Caminhoneiros, Nélio Botelho, intermediando uma solução que evitasse o desgaste do governo caso tivesse que usar o Exército para desimpedir as rodovias.





