Governo tinha esperanças de retomar banda cambial
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terça-feira, 11 de maio de 1999
por José Ramos, da AE 
Brasília, 12 (AE) O ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central Demósthenes Madureira de Pinho Neto disse ainda à CPI dos bancos que no dia 15 de janeiro, Sexta-feira, quando o Banco Central decidiu não intervir naquele dia no mercado de câmbio, a equipe econômica ainda tinha esperança de recuperar a confiança da comunidade financeira internacional, mediante contatos com autoridades estrangeiras. Com isto, esperava poder restaurar futuramente a política de banda cambial. Demósthenes informou que no dia 14 de janeiro teve almoço com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio da Alvorada, ao lado do ministro da Fazenda, Pedro Malan
do presidente do Banco Central, Francisco Lopes, e do secretário de Política Econômica, Amaury Bier. À noite houve jantar da mesma equipe em um restaurante da cidade, com a ausência apenas de Fernando Henrique. Em nenhum momento dos dois encontros, segundo Demósthenes, falou-se das operações de ajuda aos dois bancos. Ele afirmou que esta era uma questão menor diante da situação, e que a operação era de competência do Banco Central. "O Banco Central não costuma consultar o ministro da Fazenda para liquidar bancos", comentou. O diretor comentou que Malan também não perguntou sobre a saúde de bancos privados, pois "ele estava preocupado era se o País iria quebrar ou não". Segundo o diretor, se a banda cambial fosse mantida, como se esperava, a perda máxima com as operações seria de US$ 50 milhões. Do ponto de vista contábil, segundo o diretor, a atuação do Banco Central não representou prejuízo, pois a perda da operação do mercado futuro teria sido compensado com o ganho no ativo do Banco, resultante da preservação das reservas cambiais.


