Dharmsala, Índia, 09 (AE-AP) Assessores do Dalai Lama
o líder espiritual do budismo tibetano, negaram hoje (09) qualquer envolvimento na fuga do Karmapa Lama, o terceiro na hierarquia religiosa, que realizou uma fuga a pé pelo Himalaia para chegar à Índia, na sexta-feira.
O Karmapa, que tem 14 anos e é o único líder do Tibete ocupado pela China a contar com a aprovação tanto do Dalai Lama quanto de Pequim, fez ontem a sua primeira aparição em público. Ele se encontrou duas vezes com o Dalai.
"Desde sua chegada, nossa principal preocupação é com sua saúde", declarou Tashi Wangdi, ministro da Religião e da Cultura do governo tibetano exilado, na cidade de Dharmsala. "Foi uma viagem longa e difícil, uma fuga muito traumática, pois ele tem apenas 14 anos."
Wangdi assegurou que a chegada do Karmapa Lama foi uma surpresa para o governo exilado. Ele acrescentou que o jovem foi conduzido hoje a um local não divulgado, onde deverá completar sua recuperação da árdua caminhada, fianco longe do assédio da imprensa.
Os assessores do Karmapa Lama têm tomado todos os cuidados; jornalistas e fotógrafos foram mantidos à distância e o adolescente já avisou que não tem interesse em falar com a imprensa. Mas sua presença na Índia desencadeou uma onda de especulações sobre sua aventura no gelo e na altitude do Himalaia.
A fuga do Karmapa Lama significa que os líderes de todos os quatro ramos do budismo tibetano estão agora vivendo exilados na Índia.
O adolescente, que é o décimo sétimo Karmapa, era considerado pelos líderes comunistas da China uma alternativa ao Dalai Lama. Pequim, que ocupa o Tibete desde a década de 50, reconheceu a fuga do Karmapa, mas avisou que as portas estão abertas para seu retorno.