Por Sandra Sato
Brasília, 19 (AE) - O governo terá de negociar com o Congresso se quiser aprovar a proposta, que pretende enviar nos próximos dias, determinando a esterilização de cães da raça pitbull num prazo de 180 dias. Lideranças políticas já apóiam a tramitação em regime de urgência de um outro projeto apresentado pelo deputado Cunha Bueno (PPB-SP).
O pedido de urgência foi feito pelos líderes ontem, no mesmo dia em que o ministro da Justiça, Renan Calheiros, divulgou o texto do projeto que pretende acabar com a procriação de cachorros de raças violentas, como os pitbulls. O texto de Bueno foi o primeiro a ser apresentado no Congresso, este ano, e a Mesa da Câmara já aceitou o pedido de urgência. Todas as demais sete propostas de deputados em tramitação na casa e a que o Executivo enviará serão apensadas ao texto de Bueno.
O deputado irritou-se com o anúncio feito pelo ministro da Justiça de que o governo terá uma proposta própria. "É burrice do governo, seria mais fácil pegar algo em andamento que já conta com parecer nas comissões", afirma Bueno que se sentiu "atropelado" mais uma vez pelo governo. Ele conta que já passou por isso antes, no caso do vale-transporte e do FGTS, idéias suas que o governo teria assumido a autoria. Para o parlamentar, seria mais honesto o governo discutir com o Congresso para "aperfeiçoar" os projetos do que "roubar as idéias dos outros".
Cunha Bueno defende a esterilização não só dos pitbulls, como também dos rottweilers, puros ou mestiços. Duas raças de cães violentos que têm aparecido frequentemente no noticiário por ataques a pessoas. Ao contrário do governo, o projeto de Bueno estabelece prazo de apenas 45 dias para os donos desses cachorros esterilizá-los.
Porém é mais flexível quanto à punição ao proprietário desses cães que desrespeitar a determinação de castrá-los e sair às ruas com os animais presos a coleiras e com focinheiras. Enquanto o governo sugere pena de 1 a 3 anos de detenção, o deputado limita a penalidade a prisão simples de um a seis meses.

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