Governo tentou encobrir miséria no PR
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quarta-feira, 18 de julho de 2001
Andréa Lombardo De Curitiba 
Os números divulgados na semana passada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Mapa do Fim da Fome só confirmam uma situação já constatada no Paraná há quatro anos. Estudo encomendado pela Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família, em 1997, ao Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) revelou que 70,4% dos municípios do Paraná se encontravam em condições urbanas críticas ou muito críticas.
Mas os resultados não agradaram ao governo, que tratou de omitir as informações na época. Exemplares do Mapa da Pobreza do Paraná de 231 páginas chegaram a ser distribuídos para quase todas as prefeituras do Estado, mas boa parte deles foi recolhida. A assessoria do governo nega (ver texto nesta página).
No estudo foram consideradas a condição social do morador (renda e grau de escolaridade), moradia (densidade de moradores e canalização interna) e saneamento básico (acesso à água tratada, esgotamento sanitário e coleta de lixo).
A pesquisa do Ipardes apontou uma situação de pobreza ainda mais acentuada no meio rural, onde 87,7% dos municípios se enquadraram nas condições crítica e muito crítica (177 deles nesta última condição). Grande parte dos municípios que evidenciaram condições precárias tanto no meio urbano como rural eram dependentes do repasse do Fundo de Participação Municipal (FPM), os que tiveram elevado crescimento da população urbana ou, ainda, os municípios novos.
O Mapa da Pobreza revelou que, em 97, os municípios com maior grau de carência do morador e da moradia estavam localizados obliquamente do Norte Pioneiro (Andirá, Jandaia do Sul) ao Centro-Sul do Estado (General Carneiro, Paula Freitas) e Sudoeste (Capitão Leônidas Marques, Pranchita). De modo geral, muitos municípios que não apresentam carência na área urbana, apresentam na rural.
Os municípios com melhores condições urbanas, apontou o estudo, encontravam-se nos arredores de Londrina e Maringá e no extremo Oeste do Estado, principalmente os municípios lindeiros a Itaipu. Entre os municípios com condições razoáveis de moradia e de saneamento básico, destacavam-se apenas Cambará, Cornélio Procópio, Curitiba, Londrina, Maringá e Paranavaí. Considerando as mesmas condições no meio rural, somente Curitiba, Maringá e Palotina mereceram destaque.
Para o estudo, o Ipardes usou informações relativas ao censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), de 1991, além de dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde e do Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar). A Folha tentou ouvir um dos técnicos do Ipardes que participaram do trabalho, mas ninguém quis comentar o resultado alegando queo estudo não foi oficializado
As variáveis utilizadas pelo Ipardes no levantamento não são as mesmas que a FGV usou para o Mapa do Fim da Fome e, por isso, não podem ser diretamente comparadas. Entretanto, numa análise geral fica claro que a condição de pobreza no Paraná não é um fato recente.


