O governo tentará votar hoje na Câmara o projeto de lei do Ministério da Educação que concede gratificações salariais aos professores universitários federais. Em reunião de líderes ontem, no Palácio do Planalto, o presidente Fernando Henrique Cardoso pediu aos parlamentares que votassem o assunto nesta semana. Segundo o líder do PSDB, deputado Aécio Neves (MG), o governo já chegou no limite de negociação.
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), reafirmou, porém, que só votará o projeto se os professores voltarem ao trabalho. ‘‘Com os professores em greve eu não voto nada’’, disse. ACM lembrou que, mesmo com o fim da greve, não há possibilidade de o Senado avaliar o projeto nesta semana.
Para Aécio Neves, não há como negociar com a oposição e com os líderes grevistas. ‘‘Setores da oposição têm intenção de criar um impasse e tratar o problema como uma questão eleitoral’’, acusou o tucano, afirmando que o novo presidente eleito da Associação Nacional dos Docentes (Andes), Renato de Oliveira, teria recomendado a volta às aulas. Oliveira disse à Agência Estado não ser contra a greve.
O presidente eleito da Andes critica os grevistas pela condução do movimento, por terem insistido por muito tempo em exigir reajuste idêntico para todos os professores. Ele não concorda com a proposta do governo e acusa o ministro Paulo Renato Souza de ser refém da equipe econômica e do Ministério da Administração.
Caso os professores mantenham a greve, o presidente do Senado ameaça não votar a proposta de gratificação salarial em junho. É possível que ocorram reuniões do Senado, da Câmara e do Congresso nos dias 29, 30 de junho e primeiro de julho. Sem comentar a resistência de Antônio Carlos Magalhães, Aécio Neves culpou os professores pelo impasse. ‘‘Alguns professores querem manter as universidades fechadas até as eleições porque acreditam que isto possa valorizar o candidato da oposição’’, afirmou o líder do PSDB.
O grupo de 15 professores universitários em greve de fome desde anteontem, já apresentava ontem à tarde os primeiros sinais de cansaço. Apesar de manter disposição de continuar, boa parte dos voluntários estava com dor de cabeça e tonturas. Eles assistiram ao segundo jogo do Brasil na Copa do Mundo, mas a comemoração foi contida. A ordem é poupar energia. O médico Claudio Freitas, um dos responsáveis pela assistência aos grevistas, disse que três pessoas mereceram atenção especial.

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