Governo tenta resolver impasse em área de Laranjeiras do Sul
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sexta-feira, 20 de maio de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O vice-governador do Paraná, Orlando Pessuti, deve conversar com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, até o final do mês, a respeito de uma área de 7.344 hectares na região de Laranjeiras do Sul (109 km a oeste de Guarapuava). O local é ocupado por cerca de 170 famílias de pequenos e médios agricultores, mas anteriormente pertencia a índios caingangues. A demarcação da área para devolução aos indígenas provoca polêmica.
Segundo Dionísio Vandresen, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e de uma equipe que está acompanhando o caso, o governo do Estado sempre negou responsabilidade pelo impasse, apesar de ter dado a posse dos terrenos a produtores rurais e de ter expulsado os caingangues da área entre os anos 50 e 60.
Entretanto, numa reunião realizada anteontem, foi sinalizada uma mudança de posição: Pessuti e o secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Aldo Parzianello, se comprometeram a falar com o ministro da Justiça sobre a questão. ''Neste encontro, será definido se o Ministério vai realmente demarcar o local como área indígena. Caso isto aconteça, o governo do Estado fará uma negociação com o governo federal para apontar como seria feita a indenização dos agricultores'', afirmou Vandresen.
De acordo com o coordenador, nesta negociação será discutido de onde virá o dinheiro para pagar os agricultores não só pelas benfeitorias na área (para este pagamento já estão previstos recursos da Fundação Nacional do Índio), mas também a título de indenização pela posse dos terrenos. ''Os pequenos e médios produtores da região não têm problemas com os índios. Os agricultores reconhecem que as terras são indígenas, mas querem também que o Estado assuma responsabilidades, pois foi ele que fez a titulação para que eles ocupassem a área'', concluiu Vandresen.


