Governo tenta repatriar outro condenado
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 1998
Agência Estado 
Após a batalha diplomática travada na Costa Rica, que resultou na extradição de Jorgina Maria de Freitas Fernandes, acusada de desviar US$ 112 milhões da Previdência Social, o Ministério das Relações Exteriores luta, agora, para repatriar o advogado Roberto Lopetegui de Alencar Osório. Ex-diretor do Depósito Público do Estado do Rio, Osório foi condenado a dez anos de prisão no Brasil por peculato e vive hoje em Moçambique, na África.
Em 8 de janeiro, o conselheiro da embaixada brasileira em Moçambique, Paulo Américo Wolowsky, requereu a prisão preventiva do advogado às autoridades daquele país. O Ministério da Justiça de Moçambique aprovou a deportação de Osório.
O advogado é acusado de furtar jóias, objetos de arte, eletrodomésticos, carro e outros bens do Estado e de particulares que estavam acautelados no Depósito Público, dirigido por ele durante o primeiro governo Leonel Brizola (de 1982 a 1986).
O furto foi descoberto pela promotora Déa Araújo e Décio Gomes que, ao assumir o Depósito Público encontrou o cofre da instituição com o lacre violado. Osório foi preso, mas conseguiu fugir de um carro da Polícia Interestadual (Polinter) em outubro de 1987. Acabou saindo do País e foi condenado à revelia pelo juiz Ulisses Monteiro, da 24ª Vara Criminal do Rio.
Procurado pela Polícia Federal e pela Interpol há dez anos, Roberto Osório teria dado prejuízo estimado em pelo menos US$ 10 milhões. Assim que for preso, ele será deportado pelo governo de Moçambique, onde montou uma empresa de prestação de serviços.
Desde o ano passado, o Ministério das Relações Exteriores havia solicitado ao ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Leonardo Simão, a deportação de Osório, que foi flagrado no fim do ano passado por uma equipe de reportagem da TV Globo em Maputo.
O pedido de deportação foi analisado e aprovado pelo Ministério da Justiça de Moçambique. Falo de qualquer assunto, menos desse, disse ontem o diplomata Paulo Américo. Veiga confirmou que não existe tratado de extradição entre os dois países.
De acordo com a reportagem da TV Globo, Osório trabalhava em um escritório de advocacia naquele país e prestara serviço à própria embaixada brasileira, apesar de ser procurado pela polícia.
Embora não tenha havido confirmação oficial, cogitou-se, na época, de que o embaixador Luciano Osório Rosa teria perdido o cargo em função do escândalo. Rosa foi transferido para Budapeste.
O diplomata Francisco Chagas, porta-voz do Itamaraty, disse que a firma em que Osório trabalhava prestou apenas um serviço numa causa trabalhista. Chagas confirmou que Osório era pessoa conhecida na embaixada. Mas lá não se sabia, que havia um pedido de prisão contra ele no Brasil.


