Governo tenta reduzir reação ao pedágio
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sábado, 25 de novembro de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
O governo do Estado dá mais uma cartada para minimizar as reações negativas contra o reajuste do pedágio. Depois do vale-pedágio, o secretário de Comunicações, Rafael Greca, convenceu o governador Jaime Lerner a implantar na próxima semana o Conselho de Usuários, que deverá fiscalizar as contas e obras das rodovias do Anel de Integração. O conselho faz parte das reivindicações das entidades classes de todo o Estado, que ontem se reuniram com o presidente da Assembléia Legislativa e futuro secretário dos Transportes, Nelson Justus, para forçar uma negociação sobre os índices.
Antes da reunião de Justus com as entidades, Greca já anunciava para algumas rádios do Estado que o governo abriria o espaço para a sociedade fiscalizar as rodovias. A promessa do governo chegava 24 horas depois de os sindicatos das empresas transportadoras de cargas (Setcepar), das cooperativas (Ocepar), dos caminhoneiros (Sindicam) e as federações da Agricultura (FAEP) e das empresas de cargas (Fetranspar) emitiram nota questionando o aumento do pedágio (extra-oficialmente entre 13% a 18%), a não realização de obras e a manutenção falha das rodovias.
No fim da tarde, Greca e o secretário do Governo já tinham fechado com o governador o anúncio da criação do conselho de usuários, que será composto por membros das concessionárias, da sociedade e do governo estadual. Além disso, não está descartada a possibilidade do governo modificar os prazos das obras que as concessionárias deverão realizar.
Caso diminua o índice do reajuste, o governo poderá satisfazer em parte à sociedade. Não somos contrários ao pedágio, mas queremos que o processo seja mais transparente, disse o presidente da Federação das Associações Comerciais e Industriais do Paraná (Faciap), Ardison Akel. Ele participou da reunião com Justus. No encontro, estiveram presentes também representantes da Associação dos Usuários de Rodovias, Faep, Setcepar, Ocepar, Sindicam, Sociedade Rural e associações comerciais.
Akel quer a divulgação do valor que as concessionárias ganham com serviços terceiros ao pedágio. Por exemplo, não se sabe qual é a lucratividade da exploração das faixas de domínio, por onde passam o gasodutos e fibras óticas, que também pagam pedágio. Para ele, a fórmula das tarifas precisa ser alterada.
Outra reinvindicação dos manifestantes é a melhoria das estradas não pedagiadas. A situação é crítica em diversas rodovias, reclamou o presidente do Setcepar, Rui Cichella. Os pedidos foram encaminhadas por Justus ao governador.
Justus disse que vai interferir para abrir diálogo dos manifestantes com o governo. Ele se comprometeu a participar em um fórum sobre o pedágio, que vai acontecer no dia 1º em Londrina.


