Brasília, 19 (AE) - O líder do bloco PSB/PCdoB na Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e um dos coordenadores da Marcha dos 100 mil a Brasília, programada para o proximo dia 26, disse que a advertência feita pelo líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), de que seu partido reagirá com violência ao "golpismo" da oposição, é uma tentativa de intimidação. Segundo Rebelo, a proposta da marcha é entregar um documento ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), com cópia para o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), pedindo que o presidente Fernando Henrique Cardoso seja enquadrado em crime de responsabilidade.
Segundo ele, os organizadores do movimento são todos conhecidos e já conversaram com o presidente da Câmara, o presidente do Senado, o comando da Polícia Militar do Distrito Federal e o chefe da Casa Militar da Presidência da República, general Alberto Cardoso, e o movimento será pacífico e acontecerá dentro da ordem. "Será uma demonstração pacífica de força da oposição, que não ganha nada se fizer com que esse movimento descambe para a violência", assgurou o líder. "Estão tentando intimidar o movimento e confundir a opinião pública. Não vamos aceitar essa intimidação", assegurou.
Segundo ele, "golpismo" é o fato de o governo não querer aceitar que a oposição peça a saída do presidente da República, baseada na Constituição. "Golpismo é imaginar que o presidente está acima da Constituição", afirmou. Na avaliação de Aldo Rebelo, as declarações de Aécio Neves têm o objetivo de convencer a base de sustentação do governo de que há um movimento golpista e que, por isso, os parlamentares da base governista não devem votar a favor do projeto de renegociação das dívidas dos produtores rurais, para não alimentar este movimento.

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