Governo tenta ganhar tempo para instauração de Comissão Especial
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quarta-feira, 29 de março de 2000
Por Flávio Mello 
São Paulo, 30 (AE) - O comando político do Palácio das Indústrias tenta articular com os partidos que integram a base aliada do governo na Câmara Municipal mais tempo para a indicação dos nomes dos vereadores que indicarão para a Comissão Especial, que deve ser aberta pela Câmara Municipal na póxima semana para analisar o pedido de impeachment apresentado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) contra o prefeito Celso Pitta (PTN). A intenção do Executivo é ganhar tempo, pois acreditam que a tendência é de as denúncias feitas pela primeira-dama Nicéa Pitta contra o seu ex-marido perderem força por falta de provas.
Um vereador do PTB, que pediu para não ser identificado, disse que o líder do partido na Câmara, José Amorim, foi procurado hoje por telefone pelo secretário do Governo Municipal
Carlos Meinberg. Na conversa, Meiberg teria pedido a Amorim que retardasse a definição do nome do partido porque o PPB ainda não teria definido os dois nomes que também terão de indicar para a Comissão Especial.
"Quem foi que te contou isso?", perguntou Amorim, ao ser questionado pela reportagem sobre o teor da conversa. Em seguida
o líder do PTB negou ter falado com o secretário do Governo Municipal hoje.
À tarde, Meinberg disse que realmente conversara com Amorim
mas negou ter feito qualquer tipo de pedido à bancada. . "Converso com todos os vereadores, porque essa é uma das atribuições do cargo que ocupo", limitou-se a dizer Meinberg.
Encerrada a sessão na Câmara, o líder do governo, Brasil Vita (PPB), reuniu-se com Meinberg no Palácio das Indústrias. Ele foi um dos nomes ecolhidos pelo PPB para integrar a Comissão Especial.
O outro foi Wadih Mutran (PPB), vice-líder do governo na Câmara. Mutran é um dos parlamentares que gozam da confiança do Executivo e é conhecido pela capacidade de criar fatos teatrais, sem temer críticas e reações posteriores, em defesa do governo e da pessoa do prefeito e foi o parlamentar defendido por Nicéa para presidir a Câmara em detrimento de Armando Mellão (PMDB).
Meinberg tem se reunido frequentemente com o vereador Paulo Roberto Faria Lima (PMDB), considerado um parlamentar habilidoso nas costuras políticas com discrição na Câmara. O governo não admite, mas quer tentar impedir a abertura do processo de impeachment.
A intenção é rejeitar o pedido na análise da Comissão Especial impedindo que um parecer favorável seja enviado ao plenário. Em plenário, o governo teria de conquistar 33 votos para impedir o início do processo.
Meinberg negou que o Executivo esteja influindo na escolha dos vereadores que farão parte da Comissão Especial. "Nós queremos parlamentares equilibrados, que saibam analisar tecnicamente um documento que tem essas características", afirmou.
Receio - Apesar da aparente tranquilidade do governo municipal e do próprio prefeito Celso Pitta em relação à sua base de sustentação na Câmara, assessores políticos do Palácio das Indústrias ainda têm receio em relação ao comportamento dos vereadores. Eles acreditam que ainda é prematuro emitir uma opinião, porque receiam que fatos novos possam surgir nos próximos dias.
Na avalição dos assessores políticos da Prefeitura, se não surgirem fatos novos ou nenhuma prova for apresentada para fundamentar as denúncias a situação tende a acomodar-se em favor do governo. Do contrário, a estratégia terá de voltar a ser definida todos os dias.


