BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Nelson Jobim, iniciará no dia 15 uma visita aos Estados do Pará, São Paulo, Rondônia, Paraná e Rio Grande do Sul, para orientar os governos estaduais e representantes do Ministério Público no combate à violência no campo. O anúncio foi feito durante o programa semanal de rádio ‘‘Palavra do Presidente’’.
O presidente Fernando Henrique Cardoso explicou que a ação de combate vai se concentrar em duas providências imediatas: ‘‘os Estados acionarão a Justiça e a polícia para processar e prender os autores da violência e apreender as armas’’.
Para o presidente, o País está diante de um caso de omissão com os inúmeros casos de violência no campo. ‘‘Para combater as invasões de propriedades rurais são competentes as autoridades estaduais’’, disse. O presidente, que no programa de ontem contou com a participação do ministro Jobim, fez um ‘‘apelo ao bom senso’’ dos representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e dos empresários rurais ‘‘para que obedeçam a lei e acatem os anseios do povo brasileiro de tranquilidade e ordem’’.
Segundo o presidente, os conflitos estão dificultando o programa de reforma agrária nas negociações para a desapropriação de terras. ‘‘Conflitos que vamos combater pela via legal, a qualquer custo’’.
Não identificados - Dois dias depois de ser baleado em uma emboscada em Bom Jesus da Lapa (905 quilômetros de Salvador), o caseiro Edvaldo de Souza, 38, disse ontem à polícia que não sabe identificar as pessoas que mataram a tiros dois funcionários da fazenda Rio das Rãs e o feriram.
‘‘Estava muito escuro e a ação foi extremamente rápida’’, disse o caseiro ao delegado do município, Carlos Henrique Coelho Santos. Por volta das 23 horas do domingo, o gerente e o vaqueiro da fazenda Rio das Rãs - Lourivaldo Pereira dos Santos, 40, e Adroaldo Cardoso, 42 -, foram mortos com tiros quando retornavam ao local de trabalho. O caseiro Souza disse em seu depoimento que somente não morreu porque conseguiu permanecer imóvel depois que foi baleado de raspão no peito e na cabeça.
Com cerca de 50 mil hectares - dos quais 24 mil em processo de desapropriação -, a fazenda Rio das Rãs está ocupada há dois anos por cerca de 400 posseiros. O delegado disse que o governo federal ainda não liberou a verba para pagamento da parte desapropriada da fazenda. Policiais militares de Bom Jesus da Lapa e da vizinha cidade de Guanambi estão vasculhando a região para localizar os assassinos. O MST de Bom Jesus da Lapa negou ontem a participação no crime. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag) da Bahia também negou participação no caso.

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