São Paulo, 12 (AE) - O governo enfrenta amanhã (13) o segundo teste no alongamento da dívida mobiliária pública (em títulos) num ambiente de extrema adversidade. O leilão de venda das Letras do Tesouro Nacional (LTNs) pode simplesmente não sair ou, se for vendido algum título, o Tesouro pode ter de pagar preço alto demais.
A crise da vizinha Argentina derrubou hoje as bolsas domésticas, pressionou o dólar e jogou na lua as projeções de juros. No fim do dia, operadores faziam a conta. Na ponta do lápis, o Tesouro pode pagar mais de 28,5% ao ano.
Na quinta-feira, na primeira venda de papéis prefixados com prazo de um ano depois de um longo intervalo, a taxa ficou em 26% ao ano. O mesmo papel, com resgate em 5 julho do ano 2000
vai a leilão amanhã.
Operadores reconhecem que hoje o dia foi de poucos negócios, resultado da tensão no mercado. Nessas horas, é comum a taxa subir no vazio, sem negócios, pois os investidores saem à procura de proteção contra os prejuízos decorrentes das bruscas oscilações (hedge). Mas um operador de um banco garante que havia gente interessada em fazer negócio a 28,20% no fim do dia.
É grande a expectativa para o leilão de amanhã. Alguns operadores destacaram as declarações do diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, à AGÊNCIA ESTADO, sobre o objetivo do governo de estabelecer uma sistemática para os leilões. Com isso, seria importante manter o calendário, independentemente do cenário. Dentro desse raciocínio, o governo aceitaria pagar os 28% a 28,5% pedidos pelo mercado.
O ex-presidente do BC Gustavo Loyola entende a estratégia do governo, mas destaca que não é possível ficar preso a uma regra. Ele lembrou que na sua primeira gestão à frente do BC havia uma expectativa dos agentes econômicos de que o BC deveria vender papéis em todos os leilões para "rolar" a dívida pública.
"A divulgação do leilão pode ser previsível, a venda, porém, deve ser decidida pelo dono do papel e não uma obrigação incondicional", disse, acrescentando que a própria autoridade monetária (em nome do Tesouro) recusou parte dos papéis postos à venda no leilão de quinta-feira justamente pelo preço elevado pedido pelo mercado.

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