Londrina - O diretor científico da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná (Sogipa), Sheldon Rodrigo Botogoski, afirma que para reduzir o número de cesarianas no País o governo federal deveria investir, em primeiro lugar, na contratação de equipes médicas e na infraestrutura dos hospitais. "O governo quer reduzir a porcentagem de cesarianas, mas não é dessa maneira. Antes deveria ocorrer a contratação de equipes com médicos especialistas em neonatologia, enfermeiras, obstetras, anestesistas, para garantir a presença dos profissionais durante os plantões, além dos investimentos necessários em equipamentos e aparelhos", cobra.
De acordo com ele, os países que investiram em equipes para atendimento das gestantes, 24 horas por dia, conseguiram reduzir em até 30% o número de cesarianas consideradas desnecessárias. "Isso pode ser copiado, mas precisa ser feito da maneira correta." Na opinião de Botogoski, os dados do Ministério da Saúde que apontam para 63,5% de cesarianas no Paraná são imprecisos, pois não diferenciam as cirurgias por opção da gestante e os procedimentos emergenciais. "Um ponto positivo da resolução da ANS é que vai mostrar, realmente, quantas cesarianas são realizadas por escolha da paciente", comenta.
Ainda segundo o médico, a maioria das complicações ocorre com gestantes que permanecem em trabalho de parto por um período, mas o nascimento natural não é possível com a necessidade de uma cesariana emergencial. "Os riscos de infecção e hemorragia são menores nas cesarianas programadas em comparação com as cirurgias em casos de emergência", informa. (R.F.)

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