Governo suspende sanção de lei de segurança
Jacarta, 24 (AE-AP) - O governo do presidente indonésio B.J. Habibie adiou hoje (24) a sanção da lei de segurança, que amplia os poderes dos militares, depois de dois dias de violentas manifestações públicas de protesto que provocaram a morte de quatro pessoas, além de 100 feridos e 39 presos.
"O governo decidiu adiar a lei de segurança porque metade da população não entende o conteúdo do projeto de lei", disse o porta-voz militar, general Sudrajat. Em um discurso pela televisão, Sudrajat afirmou hoje que a legislação era mais democrática que a lei existente. Ele afirmou que a nova lei não entrará em vigor até que fique claro para a população seu conteúdo e propósito.
Para os analistas, o adiamento da sanção da nova lei de segurança é visto como uma grande derrota para o poderoso exército indonésio. As fontes sustentam também que a decisão corroerá ainda mais o prestígio de Habibie juntos aos militares. O presidente está concorrendo à reeleição e precisa do apoio do Exército.
A violência continuou hoje em Jacarta, onde manifestantes bloquearam a principal artéria da cidade, a Avenida Sudirman. Uma multidão jogou pedras e bombas caseiras na polícia, que respondeu com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.
A lei de segurança aprovada ontem pelo Parlamento delega ainda mais poder ao exército. Uma vez declarado o estado de emergência, ela permite aos militares, por exemplo, proibir protestos, assumir o sistema de telecomunicações e serviço de correios e ignorar leis existentes que garantem os direitos humanos dos cidadãos indonésios.
O controle quase que total do exército sobre a sociedade indonésia tem sido mascarado desde a queda do então presidente Suharto.
Analistas disseram que os generais de linha-dura querem agora assegurar sua posição à frente da inauguração, em novembro, do novo Parlamento, o primeiro democraticamente eleito em 44 anos.
O Parlamento atual, cujo termo expira esta semana, é dominado por aliados direitistas das forças armadas que apoiaram o reinado de Suharto.





