La Paz, 18 (AE-AP) - Assim que o governo boliviano concordou em suspender a erradicação da folha de coca na região subtropical de Los Yungas, os camponeses levantaram hoje (18) o bloqueio de estradas iniciado no último final de semana.
A suspensão oficial da destruição das plantações foi autorizada, segundo o dirigente rural Gabriel Carranza, pelo menos até o próximo ano.
Na região de Los Yungas, ao norte de La Paz, há cerca de 15 mil hectares plantados com coca, dos quais apenas 12 mil estão autorizados pelo governo, em respeito à lei de substâncias controladas. Seu cultivo se destina ao consumo tradicional dos índios quéchuas e aimarás, sendo utilizadas inclusive na preparação de infusões de coca e outros produtos medicinais.
No entanto, segundo o vice-ministro de Defesa Social Guillermo Canedo, é cada vez menor o número de camponeses que ainda mastigam folhas de coca, e parte da produção é remanejada para os laboratórios de processamento de cocaína.
O plano de luta antinarcóticos do governo do presidente Hugo Banzer para a região de Los Yungas previa para este ano a erradicação dos 3 mil hectares de coca remanescentes. Na zona de Chapare, que concentra as maiores extensões de plantações de coca, o plano para este ano é de destruir 18 mil hectares de área plantada, além dos 18 mil já erradicados no ano passado.
O governo iniciou hoje em La Paz negociações com os plantadores de coca para estabelecer um novo cronograma de erradicação da folha. Antes, os camponeses recebiam uma compensação de US$ 2.500 por cada hectare destruído. Mas o programa foi suspenso pelas autoridades, sob a alegação de que os plantadores recebiam o dinheiro, destruíam parte do cultivo, mas prosseguiam com a mesma atividade em outra região.

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