Governo suspende despejo de sem-terra no Pará
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 23 (AE) - O governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), mandou suspender a operação militar para a desocupação da Fazenda Cabaceira, em Eldorado dos Carajás, sul do Pará, ocupada há um mês por 850 famílias integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A ordem foi comunicada ao comandante-geral da Policía Militar, Faustino Neto, após o governador tomar conhecimento da disposição do MST em negociar com os governos federal e estadual a retirada pacífica dos invasores. O movimento pediu um prazo de 48 horas para deixar a fazenda.
A tropa de 130 homens que deslocou-se ontem de Belém para Marabá está alojada no quartel do 10º Batalhão, em Parauapebas, e tem ordens, segundo o coronel Jaime Ferreira, para não sair de lá até que as negociações estejam concluídas. A reunião que definirá a retirada das famílias prolongou-se durante todo o dia de hoje, na sede do Instituto nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Marabá, sem que houvesse um acordo sobre o destino das famílias.
O MST exige um outro local para o assentamento dos ocupantes da Cabaceira e oferece 26 caminhões para o transporte dos lavradores. O governo alega que precisaria de um tempo maior para encontrar a nova fazenda e ofereceu várias áreas de seu estoque de terras na região, mas o movimento recusou alegando que os locais indicados estão longe das principais rodovias.
O MST também quer que o governo federal assuma o compromisso de melhorar as condições de diversos assentamentos na região, que estariam sem escolas, postos de saúde e estradas para escoamento da produção agrícola para sair da fazenda. Outra reivindicação é a liberação d crédito para os agricultores. A direção do Incra rejeitou a proposta do MST de desapropriação da fazenda, alegando que a área é "altamente produtiva". Os sem-terra afirmam que a fazenda está em área do Estado, que concedeu aforamento aos proprietários para a exploração de castanha. "Eles desviaram a finalidade do aforamento e estão criando gado", afirmou Eurival Martins, líder do MST.


