Atividades de contraturno desenvolvidas nas escolas estaduais estão suspensas a partir desta sexta-feira (18) em todo o Estado. Segundo a Secretaria Estadual de Educação (Seed), a medida adotada em caráter emergencial pelo governo visa a contenção de gastos com pessoal para que o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal não seja ultrapassado. Ainda de acordo com a Seed, só serão canceladas as atividades realizadas por professores temporários (PSS) e para os professores que atuam nestes projetos de forma extraordinária. Todas as outras, tocadas por professores do quadro próprio do magistério, foram mantidas.
A reportagem solicitou à Seed a quantidade de alunos afetados e o número de atividades suspensas no Estado, mas não obteve retorno. Por meio de nota, a pasta informou que nenhum contrato foi cancelado e que a medida implica apenas na redução da jornada de trabalho. "Cerca de 5,5 mil professores terão a carga horária reduzida, entre os cerca de 80 mil da rede pública estadual, sendo que a carga horária poderá ser ampliada para completar as reposições a partir de 22 de dezembro", traz a nota.
As atividades de apoio escolar, a prática de esportes e o reforço estão suspensos. De acordo com o ofício da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), ficam mantidas as atividades de línguas estrangeiras, salas de recursos e educação empreendedora. A Seed expõe também que o Estado manteve, com recursos próprios, diversas atividades que antes eram custeadas pelo Programa Mais Educação, que teve repasses suspensos pelo governo federal. "Para 2017, as escolas poderão aderir conforme o interesse ao Novo Mais Educação, que prevê atividades de contraturno".
Das 72 escolas estaduais de Londrina, 31 oferecem atividades de contraturno e serão afetadas pelas suspensões. "Ainda não há um levantamento fechado sobre quais atividades são ministradas por professores temporários ou do quadro próprio, mas várias ações esportivas, culturais ou até mesmo reforços serão canceladas", detalhou a chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, Lúcia Cortez. Ela não considera que a medida vá afetar a formação dos alunos. "Estamos próximo do fim do ano letivo e, tradicionalmente nesta época, a procura pelo contraturno é menor", ponderou.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) convocou uma manifestação para esta sexta-feira para protestar contra a suspensão das atividades de contraturno. "Somos contra o cancelamento de programas em contraturno, como o Sala de Apoio à Aprendizagem. A medida adotada pela Seed, de acatar a decisão da Sefa, desorganiza novamente a escola e a rotina da comunidade escolar. Isso vai afetar milhares de alunos que contam com as atividades realizadas nas escolas", criticou a secretária educacional da APP, Walkíria Mazeto.

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