Albari RosaPressãoEm Curitiba, 200 sem-terra ocuparam a sede do Incra e depois de negociações, voltaram ao acampamento. Hoje serão recebidos pelo governador Jaime LernerNegociação, só com desocupação. A determinação do governo federal foi seguida ontem pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, que se recusou a receber uma comissão de parlamentares para tratar da pauta de reivindicações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) enquanto os invasores não deixarem os prédios públicos. Desde terça-feira sem-terra ocupam prédios do ministério da Fazenda e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 13 estados e no Distrito Federal. O ministro está disposto a receber os parlamentares e o encontro pode acontecer hoje.
Os integrantes do MST estavam dispostos ontem à noite a manter a vigília em frente ao prédio do Ministério da Fazenda em Brasília. Pela impossibilidade legal de permitir o acampamento na Esplanada dos Ministérios, a Polícia Militar do Distrito Federal solicitou a presença de um representante do governador, Cristovão Buarque (PT), para negociar a saida dos manifestantes. Sem entendimento, a PM se preparava ontem à noite para retirar os manifestantes e solicitou dois representantes do Ministério Público para acompanhar as negociações.
O coordenador nacional do MST, Gilmar Mauro, previu ontem em Teodoro Sampaio, SP, o recrudescimento da luta de acampados e assentados de todo o País para pressionar o governo a executar uma política objetiva de reforma agrária. Mauro negou que a mobilização de sem-terra em 13 Estados - ontem houve a adesão de Goiás, Distrito Federal e Sergipe -, tenha objetivo político-eleitoral e garantiu: ‘‘O que queremos marcar é a nossa prática de luta pela terra’’.
Uma das principais reivindicações, segundo ele, é o aumento do limite do Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Procera), para as famílias assentadas. Atualmente cada família tem um teto de financiamento de R$ 7.500,00 e os sem-terra reivindicam a elevação do crédito para R$ 17.600,00. O valor, segundo o MST, representa apenas a reposição dos índices inflacionários calculados desde a fixação do limite atual, em 1986.
Paraná Em Curitiba, duzentos sem-terra ocuparam ontem pela manhã a superintendência do Incra para pedir rapidez nos processos de assentamentos no Paraná. Eles permaneceram durante todo o dia em negociação com o superintendente do Incra, Petrus Abib, que estipulou a meta de assentar 6 mil famílias sem-terra durante este ano. Apesar de não ter discutido todos os ítens da pauta de negociações, os trabalhadores deixaram o prédio no início da noite e voltaram para o acampamento, no bairro Alto São Francisco. Hoje à tarde, o MST deve ter uma audiência com o governador Jaime Lerner para pedir a libertação dos três sem-terra que continuam presos no Paraná.
A invasão de ontem na sede do Incra faz parte da Jornada Nacional de Luta do movimento, que acontece nas principais capitais desde segunda-feira. No Paraná, o principal pedido dos respresentantes do MST é a liberação dos companheiros presos nas últimas desocupações de terra comandadas pela Polícia Militar. Atualmente, existem cerca de 80 ocupações no Estado, que abrigam aproximadamente 8 mil famílias.
Apesar dos pedidos da liderança do MST, o superintendente do Incra afirmou que prefere não definir áreas prioritárias para desapropriações, para evitar a formação de ‘‘correntes migratórias’’ no interior do Estado. Hoje pela manhã, os líderes do MST pretendem voltar à sede do Incra para discutir a liberação de R$ 130 milhões pelo governo federal para melhoria da infra-estrutura dos assentamentos.

mockup