Rio, 18 (AE) - O governo só decidirá em janeiro o futuro da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, mas não está descartada a privatização. O ministro interino da Fazenda, Pedro Parente, apesar de não defender diretamente a transferência das duas instituições para a iniciativa privada, disse hoje que o governo está estudando todas as alternativas, "com suas vantagens e desvantagens". A escolha definitiva será divulgada em janeiro, depois de audiências públicas durante o mês de dezembro.
No dia 16 de abril o Ministério da Fazenda publica edital para contratação da consultoria que irá avaliar a reestruturação financeira do BB, CEF, o Banco do Amazonas (Basa)
o Banco do Nordeste (BNB) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Nos primeiros quatro anos de governo, segundo Parente, foram feitos apenas ajustes, mas agora haverá uma reestruturação completa, segundo ficou definido hoje na reunião, no BNDES, do Comitê de Coordenação das Instituições Públicas Financeiras Federais (Comif).
Parente não concordou em falar abertamente sobre a possibilidade de privatização. "Não quero responder a esta pergunta", frisou. "Não que tenhamos pruridos em discutir a privatização, mas o problema básico é que existem questões hoje relativas ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica que não nos parece que a privatização resolva", argumentou.
Os três principais problemas aos quais se referiu o ministro são a oferta de crédito rural, a manuteção de agências pioneiras e o crédito imobiliário para pessoas de baixa renda. "Temos absoluta convicção de que chegou o momento de pensar o futuro dessas instituições", diz Parente, admitindo que uma das alternativas pode ser a instituição de um sócio estratégico, a exemplo do que está sendo feito com a BB-DTVM, a distribuidora de títulos e valores mobiliários do Banco do Brasil.
Na reunião do Comif ficou decidido que até 31 de agosto a consultoria estará contratada e terá 90 dias para concluir o estudo. O governo pretende aprovar o projeto até 30 de junho do ano que vem. O presidente do Banco do Brasil, Andrea Calabi, disse que a privatização da BB DTVM está atrelada aos estudos do Comif para as demais instituições financeiras. Segundo ele, esta mudança no sistema público financeiro atenderá a metas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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