Brasília, 26 (AE) - O Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio divulgou hoje o resultado revisto da balança comercial para o mês de março. Foi registrado um déficit de US$ 217 milhões, em lugar do superávit de US$ 15 milhões divulgado dias atrás. Dessa forma, o saldo acumulado no primeiro trimestre passou a ser um déficit de US$ 815 milhões, em vez do déficit de US$ 535 milhões anteriormente divulgado.
A diferença no saldo da balança se deveu a uma mudança de critério na apuração dos resultados, segundo explicou o secretário de Comércio Exterior, Mário Marconini. Em janeiro e fevereiro, o saldo da balança foi calculado levando-se em conta as importações no momento de seu registro e as exportações quando desembaraçadas. Esse critério, historicamente utilizado pelo Brasil, é chamado critério geral, e é utilizado por 64 países. A partir de março, o resultado passou a levar em conta importações e exportações no momento do desembaraço - o chamado critério especial, utilizado por mais 54 países.
Em março, as exportações totalizaram US$ 3,829 bilhões no total desembaraçado - o que vale para a balança comercial - embora os registros de vendas ao exterior totalizassem US$ 4,048 bilhões. A diferença são exportações que não se concretizaram em março. As importações, por sua vez, somaram US$ 4,046 bilhões no total de desembaraços, enquanto os registros chegaram a US$ 3 814 bilhões.
Segundo Marconini, as exportações brasileiras reduziram-se 10,4% em março, em comparação com o mesmo mês do ano passado. "É importante observar que os dados do mês de março ainda não refletem os ganhos de rentabilidade para os exportadores resultantes da desvalorização cambial", observou. Além disso, a volatilidade da taxa de câmbio incentivou o adiamento dos fechamentos do contrato de câmbio.
Além disso, ele observou que há outros fatores que explicam "por que as exportações não decolaram até agora": a queda nos preços das commodities e a redução na taxa de crescimento mundial. Os preços das commodities, segundo o secretário, entraram em trajetória de queda desde meados de 97, o que já levou a uma depreciação da ordem de 30% de seus preços.
As exportações de minério de ferro caíram 32,8% na comparação entre o primeiro trimestre deste ano com igual período de 98. Também foi registrada queda de 46,8% nas vendas de fumo em folha. Alguns produtos, como café, conseguiram escapar da queda nos preços devido à redução na oferta mundial do produto, com aumento de 18% nas vendas no período. As exportações de ferro e aço brasileiro caíram 30,7%, influenciadas pela retração econômica na ásia.
Marconini admitiu que atingir um superávit de US$ 11 bilhões neste ano, conforme foi previsto no acordo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), "está cada vez mais difícil." Ele observou, porém, que já tem sido observada melhora na oferta de linhas de crédito e no volume de contratos de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) para exportações. "As linhas de crédito estão de volta, mas ainda não estão sendo repassadas pelos bancos aos exportadores", observou. "O problema ainda é a a apreciação de risco." No entanto, segundo acredita o secretário, a melhora no quadro macroeconômico, com redução na inflação e nas taxas de juros, contribui para a redução nos riscos de inadimplência das empresas.
O governo estima, também que as importações cairão cerca de 22% neste ano, sendo desses 7% como resultado da queda no nível de atividade e 15% como decorrência da desvalorização cambial. "Esse resultado foi aproximadamente verificado no primeiro trimestre de 99", observou o secretário. Esse cálculo leva em conta uma queda de 3,5% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB), constante do acordo com o FMI, mas que já está sendo revisto pelo governo.

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