Governo retira projeto das marginais para evitar derrota na Câmara
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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 17 (AE) - A Prefeitura de São Paulo retirou da pauta da Câmara Municipal o projeto de lei que prevê a construção de três novas pistas nas Marginais do Tietê e do Pinheiros e a cobrança de pedágio nas vias expressas. O recuo visa evitar a rejeição da proposta, que seria a maior derrota política na Câmara últimos meses. A retirada do projeto foi a única solução encontrada pelo "bloco" situacionista para evitar a perda da batalha no Legislativo, porque a bancada do PMDB - que tentou negociar a indicação de uma Secretaria Municipal há alguns meses - prometeu levar adiante a ameaça de ajudar a oposição a rejeitar o projeto.
"Se o projeto não fosse retirado da pauta, seria rejeitado", admitiu o vice-líder do governo na Casa, vereador José Viviani Ferraz (PL). "Essa foi a única solução, porque do contrário o Pitta iria para o brejo", completou Viviani. A decisão de rejeitar o projeto ocorreu numa reunião de lideranças ontem à noite. Diante da dificuldade em obter um consenso em torno da pauta de votação, o vereador Roberto Trípoli (PSDB) sugeriu que o polêmico projeto dos pedágios nas marginais fosse rejeitado. O PMDB concordou. Os governistas tentaram cancelar a sessão extraordinária e até encerrar a sessão por falta de quórum.
"Votem não, votem não", oritentavam os vereadores Brasil Vita e Wadih Mutran, ambos do PPB. A estratégia não deu certo. A oposição conseguiu 32 votos na verificação de presença e a sessão prosseguiu. Mutran apresentou, então, requerimento pedindo que o projeto fosse retirado da pauta para "adequações". Posição - Diante da proposta dos governistas, os vereadores do PMDB abandonaram o tom radical de ontem. "Se estão retirando para adequações, então estão reconhecendo que temos razão ao propor a rejeição porque há imperfeições no projeto", disse o vereador Mílton Leite (PMDB). Leite admitiu ter sido procurado pelo secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, mas disse que a conversa foi "normal". "Havia um acordo entre o PMDB e o PSDB, no qual o PT entrou hoje, agora se o PMDB mudou um pouco de posição hoje, não cabe a mim informar os motivos, mas ao próprio partido", disse Trípoli.
Vereadores do PMDB reconheceram que o fato foi um alerta do PMDB ao governo. "O PMDB é o ponto de equilíbrio da Câmara e está assumindo o seu papel", afirmou Miguel Colasuonno (PMDB). Na prática, os peemedebistas deram um recado direto ao prefeito Celso Pitta (PTN). Ao negociar com a oposição, podem derrubar qualquer projeto de interesse do governo. Eles negam, mas tentaram negociar um Secretaria Municipal há alguns meses. O partido conseguiu aumentar a sua bancada em mais de 50% e atualmente é uma das mais poderosas da Câmara, com 10 parlamentares. Tranquilidade - Meinberg tentou não acusar o golpe. "Os vereadores querem discutir pequenos retoques, então pedi para retirar da pauta o projeto e esperar as sugestões", afirmou o secretário. Ele disse que o fato de ter retirado o projeto da pauta, não significa que o governo aceitará as mudanças a serem propostas pelos parlamentares. Ao ser perguntado se o governo havia perdido o controle da base parlamentar, Meinberg explicou que "a coesão é relativa, porque em alguns temas há, em outros não".
O secretário dos Transportes, Getúlio Hanashiro (PMDB), disse, por meio de sua assessoria de Imprensa, acreditar que todos os vereadores acabarão aprovando o projeto em segundo turno depois de uma análise mais detalhada.


