Curitiba - O Ministério Público (MP) estadual instaurou procedimento investigatório para apurar as denúncias apresentadas anteontem pelas organizações não-governamentais Terra de Direitos, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) contra fazendeiros da região Centro-Oeste do Estado. Os produtores rurais estariam organizando uma milícia chamada Primeiro Comando Rural (PCR) e contratando ''pistoleiros'' para defender suas terras. O Ministério Público Federal (MPF) também investiga o caso.
O secretário de Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, que preside a Comissão Especial de Mediação das Questões da Terra do governo do Estado, disse ontem que a formação do Primeiro Comando Rural (PCR) é ''inaceitável, inadmissível, e vai ser combatida''. ''Não aceitamos a provocação desse grupo de fazendeiros, que não têm legitimidade para representar os proprietários rurais. É um grupo isolado, que não tem ligação, pelo que sabemos, nem com a União Democrática Rural (UDR), nem com a Sociedade Rural'', afirmou.
Por enquanto, o governo não tomou nenhuma atitude, mas segundo Padre Roque, está atento a possíveis conflitos. ''Eles estão sendo vigiados e monitorados pela autoridade competente. No momento em que tomarem qualquer atitude ostensiva, o Estado vai agir'', avisou. ''A lei vai valer para os dois lados'', completou.
Para o secretário, os fazendeiros ''atropelaram mais uma vez a história'', já que o governo estaria disposto a desfazer o clima de tensão nas relações entre trabalharadores sem-terra e latifundiários e estabelecer o diálogo. ''A reforma agrária vai ser feita com muito mais calma, seriedade e honestidade'', afirmou.
A mobilização do MST, lembrou Padre Roque, era perfeitamente previsível já que houve um represamento do movimento nos últimos três anos, em que a reforma não aconteceu. Além disso, muitos ''brasiguaios'', segundo ele, estão sendo obrigados a deixar o país vizinho e engrossar os acampamentos aqui. Até o início da semana, informou o secretário, 12.125 famílias estavam acampadas no Estado.
Padre Roque disse que falou com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, na manhã da última terça-feira, e acredita que ele tenha levado um ''pequeno susto'' com a situação que se instalou no Paraná. O secretário conta com a vinda do ministro para o Estado no início de abril para discutir propostas para resolver o impasse dos sem-terra. Uma delas é a desapropriar pequenas áreas ao redor dos próprios acampamentos para o cultivo de subsistência.

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