Governo reduz descontos em financiamento para assentados
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domingo, 28 de março de 1999
Agência Estado 
O governo vai mudar a cobrança de juros nos empréstimos para assentados da reforma agrária a partir de abril. Eles só deverão ter desconto maior sobre o financiamento, o chamado rebate, no primeiro empréstimo no banco. A partir do segundo terão o mesmo tratamento dado aos agricultores familiares. A proposta faz parte do programa Novo Mundo Rural, novo programa de reforma agrária do governo.
O governo federal trabalha com duas alternativas para determinar a correção dos empréstimos, a partir da unificação das linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) com o Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária (Procera). A substituição do indexador, a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), por outra com correção menor ou o aumento do desconto sobre o valor dos empréstimos feitos atualmente pelo Pronaf.
A família assentada pela reforma agrária teria subvenção maior no primeiro empréstimo, semelhante a que é concedida hoje no Procera, com desconto de 50% sobre o valor total do financiamento. Procera e Pronaf serão extintos em abril. O assentado pela reforma agrária passaria à condição de agricultor familiar a partir do segundo empréstimo, com normas mais rígidas pois teria que quitar o primeiro financiamento para continuar tendo crédito.
De hoje até quarta-feira os técnicos dos ministérios da Fazenda, Agricultura e Política Fundiária estarão reunidos para estabelecer como será a nova linha de crédito para atender à reforma agrária e a agricultura familiar. Uma das propostas é substituir a TJLP pelo Índice Geral de Preços (IGP), calculado pela Fundação Getúlio Vargas. Parte do crédito pode ser vinculado à correção de produtos agrícolas, a chamada equivalência-produto.
Na última quinta-feira, os ministérios de Política Fundiária e Agricultura publicaram portaria conjunta no Diário Oficial da União para aumentar os recursos de custeio de famílias do Nordeste, o que chegou a ser confundido com o lançamento oficial da integração do Pronaf com o Procera. A portaria admite em caráter excepcional a concessão de créditos do Pronaf aos assentados da reforma agrária. Os recursos do Procera foram insuficientes no Nordeste. Lá os assentados podem fazer financiamentos de R$ 1,3 mil, com juro fixo de 5,75% ao ano e desconto de R$ 200 sobre o pagamento.
O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse ontem que a portaria não significa a integração dos dois programas, mas apenas uma forma emergencial de atendimento de crédito de custeio para famílias que ficariam sem acesso ao crédito no Nordeste. A condição de pagamento que está na portaria, feita especialmente para o Nordeste, não vai prevalecer na nova linha de crédito, garantiu o ministro.
Raul Jungmann disse que o governo estuda condições mais suaves para pagamento do que as da portaria. Na sexta-feira assessores do governo diziam que a intenção dos ministros Jungmann e Francisco Turra, da Agricultura, era testar a nova linha de crédito no Nordeste, para depois lançá-la em todo o País.


