Governo recua e cumpre ordem para pagar grevistas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de novembro de 2001
Agência Estado <br> De Brasília 
O governo federal recuou ontem e decidiu cumprir ordem judicial de pagar o salário de outubro dos professores universitários federais, em greve desde 22 de agosto. O deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS), novo interlocutor do Palácio do Planalto nas negociações com os grevistas, apresentará hoje proposta de reajuste linear no salário-base da categoria. A proposta não deve implicar despesa superior aos R$ 250 milhões disponibilizados pelo governo, embora os professores exijam R$ 350 milhões.
Anteontem o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) negou por unanimidade pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) que queria a cassação da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou o pagamento dos salários de outubro ainda no dia 8. O governo preferiu não insistir na interpretação da AGU, que considerou uma vitória a decisão do STF e, portanto, não deveria repassar os recursos para os pagamentos.
O Planalto divulgou nota para anunciar o pagamento dos docentes ''A decisão partiu da convicção de que o Congresso já está discutindo o Orçamento e, neste âmbito, a proposta do governo que encaminha o atendimento das reivindicações dos professores'', disse o comunicado. ''Portanto, não há mais motivos para a greve e o presidente da República está confiante na responsabilidade dos professores que os fará voltar às aulas e atender aos anseios dos alunos e das famílias.''
A bandeira branca hasteada pelo governo foi bem recebida pelo presidente do STJ, Paulo Costa Leite. ''O pagamento do salário é uma atitude que contribui para restaurar a credibilidade das instituições e a harmonia que deve existir entre os poderes'', disse, se referindo ao fato de o Executivo estar desafiando o Judiciário ao descumprir suas determinações.


