Brasília, 15 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso editou hoje uma medida provisória reajustando em 60% os salários de 2.300 policiais que ingressaram na carreira a partir de 1995. O governo quer transformar a PF em uma megainstituição para atuar principalmente contra o crime organizado. Em janeiro, será aberto um concurso público para contratação de mil novos agentes
peritos e delegados federais.
A medida provisória do governo equipara os salários dos 2.300 policiais aos antigos agentes e delegados, reestabelecendo a Gratificação por Operações Especiais (GOE). Cada policial vai ganhar, a partir deste mês, em torno de R$ 4.500, enquanto os delegados que ingressaram na PF a partir de 1995, receberão R$ 5.700.
Mais do que uma equiparação, a MP deu à PF um novo status dentro do governo. Depois de ser enfraquecida durante o governo do ex-presidente Fernando Collor, a instituição ganhou força durante a gestão de Nelson Jobim no Ministério da Justiça. A disputa pela sucessão de Vicente Chelotti na direção-geral, entre o então ministro Renan Calheiros e o atual chefe do gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Alberto Cardoso, recolocou a PF em evidência, mas no aspecto negativo.
Mas há menos de seis meses à frente do Ministério da Justiça
o ministro José Carlos Dias fortaleceu a instituição, com o aval dos ministros da área econômica e do próprio presidente Fernando Henrique. Com isso, saíram enfraquecidos o general Cardoso e o secretário Nacional Antidrogas, Walter Maierovicht, que reivindicavam a coordenação de todo o programa de combate às drogas do governo. Mas a política antinarcotráfico continua com a Polícia Federal.
Conflitos - A principal alegação do diretor-geral da PF, Agílio Monteiro, para reajustar os 2.300 policiais foi a de que muitos delegados recém-saídos da Academia Nacional de Polícia (ANP) estavam recebendo salários menores do que os agentes concursados antes de 1995. Isso, segundo José Carlos Dias, estava causando conflitos internos e ameaçava a tranquilidade na instituição. "Torna-se insustentável o fato de peritos e delegados empossados a partir de 1995 perceberem remuneração substancialmente inferior a papiloscopistas e agentes", argumentou.
A decisão de restruturar a PF surgiu depois que o governo percebeu o avanço da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico. Aos integrantes da comissão, Fernando Henrique anunciou o fortalecimento da PF, que começou a ocorrer hoje, com a edição da medida provisória. O concurso público, outra promessa feita pelo presidente à CPI, será lançado provavelmente na primeira quinzena de janeiro. A PF espera a criação, por meio de decreto, de mil vagas que surgirão com a aposentadoria de policiais.

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