Governo reafirma que os direitos humanos foram respeitados
A Secretaria de Comunicação Social do Governo do Estado reforçou que as 14 desocupações feitas pela PM na região Noroeste obedeceram todos os preceitos legais que envolvem um mandado de reintegração de posse.
O governo defendeu o modo como as operações foram realizadas. Embora a Polícia Militar chegasse durante a madrugada aos acampamentos, as famílias só foram retiradas das áreas pela manhã, diz a versão do governo.
Sobre as bombas de efeito moral atiradas para dentro da fazenda Cobrinco, a Secretaria alegou que houve resistência por parte dos sem-terra. As manifestações do Ministério Público, que sustenta a ilegalidade das operações, só serão rebatidas pelo governo ‘‘na hora oportuna’’, no caso da instauração de um processo judicial.
‘‘O governo está consciente de que as desocupações em áreas produtivas seguiram todas as normas e procedimentos militares, respeitando a integridade física e os direitos humanos dos acampados’’, comunicou a Secretaria.
Para reiterar a versão oficial, o Palácio Iguaçu lembrou que todas as operações tiveram o acompanhamento de oficiais de Justiça. O governo do Estado repudiou qualquer insinuação por parte das lideranças do MST de que a lei foi violada durante as ações de despejo.
Em relação ao uso de instalações da Sociedade Rural de Paranavaí, que teria vínculo com a UDR, o governo informou que não vê qualquer problema nesse fato. ‘‘Isso não quer dizer que a PM esteja protegendo um dos lados em questão e nem que ela seja um braço da UDR. O governo sempre atuou de forma imparcial, assim como a sua Polícia Militar. O comando da PM tem sido firme na sua neutralidade na questão’’.
Segundo comunicado da secretaria, o governo foi ‘‘extremamente tolerante com o MST’’ a ponto de ser acusado por fazendeiros de nada fazer para deter as ocupações de terra na região Noroeste. Para promover a reforma agrária, o governo manifestou ainda a expectativa de receber recursos do governo federal para assentar as famílias de sem-terra no Estado. Segundo reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, ontem, o secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, teria dito que desconhece que as invasões tenham acontecido de madrugada e também a existência de treinamento militar para as desocupações. (D.V.)

mockup