Governo reabre negociação com o MST
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quinta-feira, 19 de março de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaTréguaSem-terra descansam na sede do Ministério da Fazenda em São Paulo. A desocupação, exigida pelo ministro Pedro Malan, começou ontem mesmoO governo reabriu ontem as negociações com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), rompido por causa das invasões de delegacias regionais do Ministério da Fazenda e superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pelos sem-terra. A reaproximação aconteceu no encontro entre um grupo de parlamentares e os ministros de Política Fundiária, Raul Jungmann, e da Fazenda, Pedro Malan. Na próxima segunda-feira haverá nova rodada, desta vez com representantes do MST. Restaurou-se a normalidade, vamos recebê-los, disse Jungmann.
A condição imposta pelo ministro Pedro Malan - só negociar depois que o movimento desocupasse os prédios públicos - deu resultado. Um dos coordenadores do MST, Gilberto Portes de Oliveira, informou ontem estarem descartadas novas invasões de repartições públicas. Ontem todos os prédios invadidos estavam desocupados.
Oliveira disse, no entanto, que o MST manterá a mobilização em todo o País até que o governo atenda suas reivindicações e caberá às coordenações estaduais decidir a forma de mobilização. Não tem assentamento nem liberação de recursos sem mobilização, argumentou. Ele acusa o governo de fazer reforma agrária pela televisão e mentir continuamente quando tenta classificar as ocupações como ato eleitoreiro.
Pouco antes da reunião com os parlamentares, o ministro Jungmann reafirmou que o governo não negocia com prédios públicos ocupados e não se dobrará a esse tipo de pressão.
Na segunda-feira, os líderes do movimento serão recebidos por funcionários do segundo escalão: o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, e o presidente do Incra, Milton Seligman. O governo quer ouvir as reivindicações do MST apresentadas ontem pelos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Roberto Requião (PMDB-PR) e pelos deputados petistas Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), Adão Pretto (RS), Walter Pinheiro (BA) e Jaques Wagner (BA).
Seligmann adiantou que o governo considera já ter atendido os pedidos.


