Governo quer verba do orçamento para obras contra seca
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terça-feira, 28 de abril de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaFarpasFernando Henrique Cardoso ataca a Igreja, o MST e a CUT: A pior demagogia é a que usa o pobreO governo vai antecipar a liberação de verbas do orçamento da União para obras no Nordeste destinadas a combater os efeitos da seca na região. Com a liberação dos recursos, prevista para o início de maio, o governo pretende criar postos de trabalho e assegurar uma fonte de renda aos flagelados da seca. Estamos passando um pente-fino no orçamento, afirmou o engenheiro Sérgio Moreira, que assume a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) na segunda-feira, mas já coordena as ações do governo no atendimento aos 1.209 municípios atingidos pela falta de chuva.
Ele informou, ainda, que o presidente Fernando Henrique Cardoso fará visitas à região. Ainda hoje, segundo Moreira, começa a distribuição de cestas básicas em 216 dos municípios atingidos. Não há limites de recursos, assegurou o superintendente-indicado garantindo que o governo chegará a todas pessoas afetadas pela seca. O socorro imediato do governo deverá demorar até 20 dias para chegar às demais localidades. Ele esclarece, no entanto, que 270 dos 1.209 municípios já vinham recebendo a assistência do programa Comunidade Solidária.
A população de todos estes municípios chega a dez milhões de pessoas, mas Moreira esclarece que só serão atendidos aqueles sem qualquer renda e, por isso, sem possibilidade de comprar comida. Isso significa que a distribuição de cestas básicas não será feita aos aposentados que, em alguns lugares, chegam a 25% da população.
O governo não vai perder essa guerra, disse o superintendente indicado, que afirmou ter recebido carta branca do presidente Fernando Henrique. Sobre as tensões sociais que já ameaçam vários dos municípios atingidos, ele disse que o governo vai responder com eficiência na distribuição dos alimentos. Mas admitiu, também que, além da ajuda das comunidades locais, necessária na organização das listas dos flagelados, a entrega das cestas terá um esquema de segurança montado pelos ministérios do Exército, da Aeronáutica e da Polícia Federal.
Em outra ação, de prazo mais longo, o governo quer combater a seca criando frentes produtivas.


