Governo quer usar interceptação eletrônica para barrar hackers9/Mar, 17:43 Por Edson Luiz Brasília, 09 (AE) - O governo brasileiro pretende utilizar a interceptação eletrônica para controlar a ação dos hackers - piratas cibernéticos - na internet, a rede mundial de computadores. O sistema, semelhante às escutas telefônicas, dependeria de autorização judicial. "A ação dos hackers está se tornando perigosa e delicada, mas temos que garantir os direitos fundamentais das pessoas", afirma o ministro da Justiça, José Carlos Dias. Dias está consultando juristas para saber de que forma poderia ser alterada a legislação brasileira de modo a alcançar a ação dos hackers. Atualmente a única forma de punição às invasões feitas na internet é tipificar os ataques como crime contra o patrimônio, mas não há definições sobre como esta lei seria aplicada aos hackers. Segundo o ministro da Justiça, em reunião na Costa Rica, que teve a presença de 32 países, foi discutida a criação de um estatuto único entre os integrantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) para combater os crimes cibernéticos. Cada país teria sua própria legislação, mas seguiriam regras conjuntas. A legislação brasileira vai ser feita por uma comissão mista, envolvendo juristas e até ex-hackers. Uma das possibilidades defendida por José Carlos Dias é a interceptação dos sites usados para invasões. Conforme o ministro, tudo seria feito como nos grampos telefônicos. "Sempre por via judicial", explica. " Desafio - Desde o final do ano passado, os hackers vêm desafiando o governo, ameaçando novos e mais perigosos ataques. Até o site do Ministério da Justiça foi invadido. No último dia 3, já sabendo da intenção do governo de criar uma lei de combate à pirataria cibernética, os hackers invadiram a home page da Siemens italiana e afirmaram: "Não fiquem com medo dos ataques, pois não apago nada, não vejo nada, não roubo nada, apenas altero a página principal para expressar minha raiva." Entretanto, o ataque do grupo "Crimes Boys" à empresa italiana era para mandar um recado ao Ministério da Justiça: "Não adianta o governo tentar nos achar. Se eles nos encontrar (sic) o que vai acontecer ? Nada, pois não há lei contra o que estamos fazendo e, mesmo se existisse, continuaríamos a fazer."

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