Londrina - Até 2012, cerca de 3 mil presos condenados mantidos em delegacias serão transferidos para penitenciárias. A informação foi dada pela secretária da Justiça e Cidadania, Maria Tereza Uille Gomes, ao secretário da Segurança Pública, Reinaldo de Almeida Cesar, e ao delegado-chefe da Polícia Civil, Marcus Vinicius Costa Michelotto, durante reunião ontem. De acordo com a secretária, até o final de 2014 os 15 mil presos em delegacias estarão sob a custódia da Secretaria da Justiça.
Durante o encontro, delegados da capital e do interior expuseram para Maria Tereza a realidade das delegacias de suas localidades. Ela informou que, em Foz do Iguaçu, onde não há presos em distritos, está sendo construído um prédio atrás da cadeia pública, em caráter de emergência, com capacidade para mais 256 detentos. A data de entrega está prevista para novembro.
Almeida Cesar disse que há meses vem conversando com Maria Tereza para discutir a situação dos presos nas cadeias públicas do Paraná. ''Nosso Estado é o segundo com a maior população carcerária em delegacias no País. Em São Paulo, são 7 mil. No Paraná, são quase 15 mil. Precisamos mudar essa realidade e a secretária tem mostrado que quer nos ajudar'', acrescentou.
Michelotto entregou uma lista com 26 unidades do interior do Estado que necessitam de transferência de presos. ''A superlotação carcerária prejudica não só os detentos, mas também os policiais, que correm riscos graves com as cadeias lotadas e têm que preservar a ordem nas carceragens, em vez de estar nas ruas garantindo segurança à população'', afirmou.
A secretária pediu paciência, porque essa situação foi se desenvolvendo durante muitos anos. De imediato, ela disse que estão previstas 720 vagas em Cruzeiro do Oeste (Noroeste), 1.480 em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, e 330 para regime semiaberto em Maringá (Noroeste). As três unidades deverão ser entregues no fim deste ano.
Para o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial de Londrina, Márcio Amaro, a medida vai refletir positivamente no trabalho da Polícia Civil. ''Atualmente cerca de 20 policiais estão cuidando de presos, o que prejudica significativamente o andamento das investigações na cidade. A demanda é grande'', afirmou. O número de policiais civis que atuam em Londrina é 64. Desses, apenas 12 desempenham o papel de investigador. Um grupo é responsável por questões administrativas.
Outro benefício apontado por Amaro é a possibilidade de minimizar a superlotação das quatro delegacias, que estão acima da capacidade.®MDBO ®MDNM O 2º e o 5º distritos abrigam homens, enquanto o 3º e o 4º recebem mulheres. Com capacidade para atender 216 detentos, atualmente 550 presos estão distribuídos nas delegacias da cidade.
De acordo com o delegado-chefe, a dificuldade maior está em remanejar as mulheres, uma vez que a penitenciária feminina está na capital. ''A cidade tem 160 detentas e 40% delas são condenadas'', calculou. A expectativa de Amaro é que os presos comecem a ser remanejados até o final deste ano.

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