Curitiba - A briga entre o governador Roberto Requião (PMDB) e a Ferrovias do Paraná (Ferropar) continua. Ontem, o governo estadual tornou público um processo que corria em segredo de Justiça: a empresa Transferro Operadora Multimodal ingressou com ação na Comarca de Tubarão (Santa Catarina) para recuperar equipamentos alugados pela Ferropar por falta de pagamento. O Estado quer retomar o trecho explorado pela Ferropar e afirma que não precisa pagar nenhuma indenização.
De acordo com informações do governo estadual, o juiz da 1 Vara Cível de Tubarão, Jairo Fernandes Gonçalves, determinou a apreensão de 15 locomotivas e 203 vagões. O juiz também teria dado liminar impedindo o funcionamento dessas locomotivas. O fórum de Tubarão não confirmou a informação, já que o processo corre em segredo de Justiça. A Transferro também foi procurada para falar sobre o assunto, mas não retornou a ligação.
A Ferropar obteve da Ferroeste a concessão de 248 quilômetros de ferrovia entre Cascavel e Guarapuava em 1996. Segundo cálculos da Ferroeste, a empresa deve hoje R$ 28,7 milhões aos cofres estaduais. O valor da indenização, como consta no contrato, é de apenas R$ 3,6 milhões. Segundo o diretor administrativo, financeiro e jurídico da Ferroeste, Samuel Gomes, mesmo com a extinção do contrato a Ferropar terá que pagar R$ 25,1 milhões ao governo. Segundo ele, o processo para retomada da ferrovia será fácil, devido à clara situação de inadimplência da empresa.
Quando venceu o leilão, a Ferropar (consórcio das empresas Gemon Geral de Engenharia e Montagens, FAO Empreendimentos e Participações Ltda., Pound S/A e América Latina Logística) ganhou prazo de três anos para começar a pagar a concessão. Durante a gestão de Jaime Lerner (PSB), a empresa negociou para pagar apenas 26% do valor das parcelas, entre 2000 e 2004.
O governo estadual esperava receber uma parcela integral na quinta-feira passada, de R$ 3,2 milhões. O presidente da Ferropar, Aníbal Batista Falcão, depositou apenas R$ 553 mil. Em carta enviada ontem ao presidente da Ferroeste, Martin Roeder, Falcão pediu que esses valores fossem mantidos por seis meses, enquanto o governo fizesse uma auditoria nas finanças da Ferropar.
Segundo Falcão, a empresa já pagou 16 parcelas pela concessão, que totalizaram R$ 11,8 milhões. Ele diz também que a empresa já fez investimentos de R$ 14 milhões na ferrovia. Mesmo com as declarações de Requião, ele disse ontem que espera fazer um acordo com o governo. Segundo ele, o problema com a Transferro já foi resolvido. A empresa estaria cobrando aluguel muito alto, e a Ferropar queria rever os valores. Como a Transferro entrou na Justiça, Falcão disse que preferiu quitar a dívida. Ele afirmou ainda que a decisão judicial não prejudica o transporte na ferrovia, já que uma das parceiras, a ALL, poderia fornecer vagões e locomotivas.

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