Governo quer pressa na proibição da venda de armas
Agência Folha
De Brasília
O governo quer aproveitar a comoção em torno do caso do atirador do MorumbiShopping para acelerar, no Congresso, a tramitação do projeto que proíbe a venda de armas de fogo e munições no País. Esse fato é mais um argumento para demonstrar que o projeto de limitação máxima do uso de armas é o caminho, disse o ministro José Carlos Dias, da Justiça.
O secretário nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, afirmou que o projeto está bloqueado na Câmara dos Deputados. Ele atribuiu o bloqueio ao relator, Alberto Fraga (PMDB-DF), e aos que são contra. Segundo Gregori, o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, deverá promover articulação com a base governista para garantir a apreciação rápida da proposta.
O presidente da Comissão de Defesa Nacional da Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), disse que não pode atribuir a demora na tramitação do projeto a pouco caso do relator Alberto Fraga (PMDB-DF). O texto do governo foi enviado à Câmara no dia 2 de junho. Segundo Pannunzio, Fraga foi designado relator de projeto do deputado Eduardo Jorge (PT-SP) sobre desarmamento, ao qual o do governo foi anexado. O José Gregori está muito mal informado sobre a tramitação do projeto.
Pannunzio afirmou que o governo, não atendeu a convites da comissão para discutir o projeto de desarmamento. Fraga, que é coronel da reserva da PM do Distrito Federal, afirmou que o relatório está pronto, incluindo um projeto que reunirá todas as propostas em tramitação na Câmara (cerca de 50). Eu pretendia entregar o relatório no mês passado, mas a Comissão de Direitos Humanos pediu o projeto para apresentar sugestões, disse.
No seu projeto, o relator não vai proibir a comercialização, mas somente restringir o porte (autorização para que as pessoas andem armadas). O projeto está na Comissão de Direitos Humanos desde a primeira quinzena de outubro.
Cerca de 50 pessoas, parentes e amigos, acompanharam ontem, por volta das 10 horas, o enterro do economista Júlio Maurício Zemaitis, de 28 anos, no cemitério da Saudade, em São Caetano do Sul, SP. Zemaitis foi uma das vítimas do estudante Mateus da Costa Meira, em uma sala do MorumbiShopping. Os pais estavam emocionados e evitaram comentários.
Batalha Defesa e acusação iniciaram ontem uma disputa para determinar a sanidade mental de Meira. O advogado que defende o estudante, Eduardo Pizarro Carnelós, vai pedir à Justiça uma perícia psiquiátrica. O objetivo é mostrar que o atirador não tinha consciência de seus atos quando matou três pessoas e feriu cinco em um cinema de São Paulo.
Já o promotor Norton Geraldo Rodrigues da Silva, responsável pela acusação, acha o exame desnecessário, pois considera que Meira tinha consciência do que fazia e premeditou o crime há pelo menos sete anos. A opinião de Silva é compartilhada pelo delegado que preside o inquérito, Olavo Reino Francisco.





