Governo quer popularizar festejos dos 500 anos do Descobrimento e busca apoio da iniciativa privada
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 20 (AE) - O governo quer popularizar os festejos em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil. A orientação do presidente Fernando Henrique Cardoso é para que a festa seja "boa, bonita, barata e para muitos", conforme anunciou hoje o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca. Como o orçamento previsto para as comemorações foi reduzido de R$ 50 milhões para R$ 12 milhões, o ministro pretende garantir o apoio da iniciativa privada para a execução de projetos.
Um decreto assinado pelo presidente Fernando Henrique criou o Comitê Executivo das Comemorações do V Centenário do Descobrimento do Brasil. Com isso, o Itaramaty, que tinha uma comissão para organizar a festa, deixou de ser o coordenador do evento para ser apenas um dos integrantes do novo comitê, presidido por Greca. A filosofia mudou. As propostas do grupo do Itaramaty foram consideradas um tanto elitistas e os custos eram bem mais altos do que permitiria o orçamento enxugado. "A idéia é aproveitar o acervo da comissão do Itamaraty e dar mais dinanismo e popularizar mais", explicou o ministro.
Segundo Greca, o próprio presidente e lideranças nacionais, como o vice-presidente Marco Maciel, avaliaram que "as comemorações não estavam a altura da natureza da data" pela falta de amplitude. Os projetos serão reformulados. Foi totalmente abandonada, por exemplo, a idéia de construção de um grande pássaro no atol de Coroa Vermelha. Custaria, segundo Greca, em torno de R$ 12 milhões. "Um projeto tem que ter firmeza, utilidade e beleza", disse Greca. "Esse pássaro tinha firmeza discutível, utilidade nenhuma e não era bonito", emendou. Em seu lugar será construída uma nova cruz, simbolizando a primeira missa. Quinta-feira, o ministro estará na Bahia discutindo os projetos para a Costa do Descobrimento, que incluem o Parque Indígena da Coroa Vermelha, em Cabrália, a recomposição ambiental da área e a construção de um terminal turístico. Para a Bahia, o governo federal vai destacar do orçamento da União R$ 19 milhões.
Greca quer que os Estados tenham pelo menos dois projetos grandes para serem executados até 2001. Todos têm que levar em consideração o retorno financeiro, por meio do turismo, e a geração de empregos. Em Manaus (AM), a idéia é construir um aquário gigante, para que, segundo Greca, "não se veja os peixes amazônicos só na panela". O projeto envolveria iniciativa privada, financiamento externo e recursos do governo do Amazonas.
Quer ainda criar parques temáticos dos Bandeirantes, em São Paulo, do Padre Cícero, no Ceará, e do Café, em Londrina (PR). Os R$ 12 milhões seriam para bancar parte destes custos. O único grande evento internacional será a participação brasileira na Feira de Hannover, na Alemanha.
O ministro da Cultura, Francisco Weffort, que também participa do novo comitê, designou uma comissão formada por maestros, entre eles Issac Karabtchevsky e Tiago Flores, com o objetivo de selecionar compositores incumbidos da criação de obras musicais alusivas aos 500 anos do Brasil.


