Governo quer pacto contra morte materna
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segunda-feira, 08 de março de 2004
Das agências 
Brasília, DF- O governo federal quer reduzir, até 2015, em 75% o número de mulheres que morrem durante o parto ou por complicações no pós-parto. O ministro da Saúde, Humberto Costa, defendeu ontem um pacto com as prefeituras municipais e uma grande mobilização da sociedade civil para atingir a meta. ''É inadmissível que uma grávida tenha de perambular um ou dois dias em busca de atendimento em hospital'', criticou ontem o ministro, durante cerimônia no Planalto em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, no Brasil, em cada 100 mil nascidos vivos, 74,5 mulheres morrem devido a complicações na gestação, no parto e no período pós-parto. Entre as causas das mortes, aparecem hipertensão, hemorragias, infecções e aborto. O padrão aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 20 mortes maternas em 100 mil nascidos vivos.
Costa anunciou ainda a criação do programa Primeira Semana. Um serviço especial de atendimento à mulher e à criança, durante a primeira semana após o parto (ver quadro).
A deputada Jandira Fegali (Pc do B-RJ), também presente à cerimônia, defendeu a ampliação do aborto legal, para atender a outros casos não previstos na legislação. ''É hora de ter coragem, de intervir em debates e quebrar tabus morais que precisam ser enfrentados com coragem. Mortalidade materna é uma questão de direitos humanos'', disse a deputada que esclareceu em seguida que se referia não só à questão do aborto, mas também à violência sexual.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou em Brasília, de um café da manhã em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Para uma platéia de 400 funcionárias do Palácio do Planalto, disse que a mulher ganhou mais espaço na política, mas está longe de deixar de ser alvo de violência, de receber salário igual a de um homens que ocupe a mesma função e de dividir as tarefas domésticas.
Em um discurso de improviso, Lula disse que a maior participação da mulher ocorreu na política. Lembrou que, quando a Constituinte foi instalada em 1988, o Congresso não estava preparado para receber as mulheres e o cafezinho da Câmara - área reservada a parlamentares - não tinha nem banheiro feminino. Contou também que quando começou na política ''sindicato era coisa de homem'', mas hoje muitos sindicatos já são dirigidos por mulheres.
O presidente ainda foi muito aplaudido - principalmente pela primeira-dama Marisa - ao sugerir a divisão de tarefas domésticas entre homens e mulheres. O presidente Lula aproveitou ainda o discurso para incentivar as mulheres a denunciar a violência. Contou o exemplo da própria mãe, uma mulher analfabeta que teve 12 filhos - quatro morreram antes de completar 30 dias de vida. ''Na primeira tentativa de violência feita contra ela pelo seu marido, ela simplesmente rompeu com ele e foi viver sozinha com oito filhos e provou que quando a mulher tem garra, determinação, ela não tem de ficar dependendo de uma pessoa que, às vezes, ao invés de ajudar, atrapalha''.


