Brasília, 28 (AE) - O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, José Pedro de Oliveira Costa, explicou, hoje, aos representantes dos países ricos o Plano de Ação para a Mata Atlântica. O secretário quer incluir o plano no Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicais do Brasil, o PPG7. Negociado desde 1990, o PPG7 vem privilegiando a proteção à Amazônia, mas, agora, o governo quer aumentar o percentual dedicado à mata atlântica.
O Plano de Ação apresentado em Brasília, na reunião de avaliação do PPG7, demandaria recursos da ordem de US$ 120 milhões para combater o atual processo de destruição dos 7,3% que restaram da floresta atlântica original. O fundo total atualmente previsto no PPG7 é de US$ 373 milhões, 40% dos quais oriundos da Alemanha. Os outros doadores, por ordem de importância, são União Européia, Reino Unido, Estados Unidos, Holanda, Japão, Itália, França e Canadá.
"Não pretendemos obter os US$ 120 milhões apenas junto ao PPG7, contamos com outras fontes, como o GEF (Fundo Ambiental Global) e as doações feitas aos estados, além de nossa contrapartida", disse Oliveira Costa. "Porém consideramos importante priorizar a mata atlântica, que ainda mantém extraordinária biodiversidade em seus remanescentes".
Corredores - De acordo com o Plano de Ação, as medidas para recuperação de áreas degradadas e criação de unidades de conservação seriam concentradas em dois corredores ecológicos: um entre o sul da Bahia e o centro-norte do Espírito Santo e o outro abrangendo Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. O detalhamento do plano deverá estar pronto até o final do ano e inclui os resultados do workshop realizado em agosto, que reuniu mais de 150 especialistas, em Atibaia (SP), para definir as prioridades de conservação.
As recomendações de um workshop semelhante, realizado em setembro, em Macapá (AP), para definir as prioridades para a Amazônia, também foram apresentadas aos doadores do PPG7, tendo causado um grande impacto positivo. "O conhecimento não pode ficar isolado nos grupos de pesquisa, ele deve embasar a definição de prioridades, como foi feito neste workshop", comentou Christoph Diewald, do Banco Mundial. "A Amazônia tem 5 milhões de quilômetros quadrados e o Brasil deve tomar uma decisão livre, democrática e objetiva sobre onde quer concentrar seus esforços de conservação".

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