Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou ontem o programa Luz para Todos, para levar energia elétrica a 12 milhões de brasileiros que vivem na escuridão, até 2008. Deste total, cerca de 10 milhões de pessoas estão na área rural. O programa está orçado em R$ 7 bilhões, dos quais R$ 5,3 bilhões virão do governo federal e o restante, dos governos estaduais e das empresas do setor. Na solenidade, Lula fez um apelo aos 21 governadores presentes, para que os governos estaduais e federal não deixassem o projeto ser prejudicado por disputas políticas.
''Não temos o direito de sermos pequenos diante da magnitude desse projeto'', afirmou. ''Não temos de pensar em nós, e nem temos de pensar na próxima eleição, temos de pensar na próxima geração do campo brasileiro, como é que ela vai ser.''
O presidente parabenizou a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, pela rapidez com a qual elaborou o programa e por ter encontrado recursos para financiá-lo em uma fonte que até ele, presidente, desconhecia. O dinheiro federal virá de fundos setoriais de energia, que são a Cota de Desenvolvimento Energético (CDE) e a Reserva Geral de Reversão (RGR). Esses dois fundos arrecadam juntos R$ 2,4 bilhões por ano. Com isso, a ministra disse que não haverá problemas de falta de recursos para o programa, que usará ao longo de cinco anos os R$ 5,3 bilhões.
''É bem possível que tenha gente que casou sem ver a cara da mulher que casou, da namorada ou vice-e-versa'', disse o presidente em tom de brincadeira. ''Eu não cheguei a namorar no tempo do candieiro porque era muito pequeno.'' Lula disse que muita gente na cidade desconhece a importância de um ponto de luz numa propriedade. ''Uma coisa é tirar férias de 10 dias para ir para uma cabaninha no meio do mato e viver à luz de velas e lampião. É muito charmoso''. Outra coisa, segundo ele, é passar a vida inteira nessa situação. Essa é uma das razões pelas quais os jovens estão abandonando o campo, ressaltou o presidente. ''Perderemos essa guerra se não cumprirmos esse projeto'', afirmou.
Com o programa, o governo quer antecipar, em sete anos, a universalização da energia, antes prevista para 2015. Segundo o Ministério, o programa começará a ser implementado no fim deste ano e a primeira comunidade a ser atendida será Nazaré, no município de Novo Santo Antônio, no Piauí. Essa é a cidade com o menor índice de acesso de energia elétrica no País, com apenas 8% dos domicílios servidos.
De acordo com as metas do programa, no próximo ano serão atendidas 400 mil famílias da área rural em todo o País. Em 2005 e 2006, serão acrescidos 500 mil por ano e, em 2007 e 2008, outros 300 mil por ano. A instalação da energia será gratuita para famílias de baixa renda. O presidente destacou que comitês gestores acompanharão a execução do programa e evitarão que as obras sejam paralisadas em virtude de mudanças de governo em geral.
Segundo dados do governo, na Região Norte do País 62,5% da população rural não tem acesso ao serviço de energia elétrica. Esse percentual cai para 39,3% na Região Nordeste, 27,6% no Centro-Oeste, 11,9% no Sudeste e 8,2% na Região Sul. Cerca de 90% das famílias que ainda não têm acesso à energia elétrica têm renda inferior a três salários mínimos e 84% dessas famílias vivem em municípios com Índice de Desenvollvimento Humano (IDH) abaixo da média nacional.
A prioridade é atender comunidades atingidas por barragens de usinas hidrelétricas, assentamentos rurais, municípios com baixo índice de atendimento de energia elétrica e baixo IDH, escolas públicas, postos de saúde, postos de abastecimento de água e projetos de eletrificação rural, com enfoque para o uso produtivo da energia.

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