Governo quer identificar contaminados em 60 dias
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 14 (AE) - Em um prazo máximo de 60 dias o governo quer identificar as pessoas contaminadas por aids e hepatite B por transfusão de hemácias e plaquetas - derivados de sangue - durante os anos de 1997 e de 1998. O Ministério da Saúde trabalha com a probalidade de no mínimo 8 (duas por aids e seis por hepatite) e de no máximo 66 pessoas terem sido infectadas em Pernambuco, Bahia, Alagoas ou Santa Catarina. O ministério excluiu hoje o Rio de Janeiro do grupo de Estados que teriam distribuído hemácias e plaquetas possivelmente contaminadas.
As vítimas da contaminação serão procuradas entre 8.400 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Eles teriam recebido plaquetas e hemácias extraídas do mesmo sangue enviado à Fundação Hemocentro de Pernambuco para produção de albumina. Entre sete mil bolsas de quatro lotes que a Hemope recebeu foram encontradas algumas bolsas contaminadas com o vírus da aids e do HIV. O ministério estima que apenas quatro bolsas estavam com problema. Portanto, só uma pequena parcela desses 8.400 pacientes estaria sob risco.
O secretário-executivo do ministério, Barjas Negri, admitiu hoje que a possibilidade de existirem pelo menos oito contaminados "é enorme" O rastreamento de infectados se dará a partir da identificação do doador contaminado. O banco do sangue informará para qual hospital foram enviadas as hemácias e plaquetas deste doador para tentar descobrir quem as recebeu. Esses receptores serão, então, submetidos a exames para verificar ou não se houve infecção.
Investigação - O Ministério Público Federal vai entrar no caso de utilização de sangue contaminado, independentemente de o MP do Estado de Pernambuco já ter aberto inquérito. "A princípio, pessoas agiram de forma irresponsável", afirmou o procurador Humberto Jacques de Medeiro. Segundo o ministro José Serra, o problema começou quando a Fundação Hemocentro de Pernambuco (Hemope) descobriu a existência de plasma (outro derivado do sangue) contaminado e não teria avisado aos Estados fornecedores do material. O ministro da Saúde, José Serra, diz que recebeu a denúncia oficialmente no dia 4.


