Governo quer financiamento do BID para 49 termelétricas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de março de 2000
Por Gustavo Paul 
Brasília, 22 (AE) - O Ministério de Minas e Energia quer que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) financie parte dos 49 projetos de construção de usinas termelétricas lançado no mês passado. Desde a segunda-feira uma missão de técnicos brasileiros, incluindo o presidente da Petrobras, Henry Reischtul, e o secretário de Energia, Benedito Carraro, estão em Washington explicando os detalhes do Programa Prioritário de Termelétricas, considerado o mais ambicioso projeto de geração de energia desde a construção da usina de Itaipu, na década de 70.
"O que queremos é deixar claro para o BID que projeto é esse e qual o papel da Petrobras e da Eletrobrás", afirmou o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. "É o governo usando seus instrumentos legítimos para estimular a iniciativa privada a procurar financiadores." A construção das térmicas será tocada exclusivamente pela iniciativa privada. Ele garantiu que a Petrobras, que irá participar como sócia minoritária de 20 usinas, não irá pleitear financiamento externo.
"O financiamento será feito pelo braço privado do BID, que financia também empresas privadas, por meio de project finance", explicou o ministro, referindo-se à forma de financiamento que implica no pagamento utilizando a produção futura. "Além do financiamento direto, eles (o BID) abrem a oportunidade de outros financiamentos do mercado", afirmou.
Segundo o ministro, o banco funciona como iniciador e indutor do processo de financiamento. "Ele dá uma chancela ao projeto." O governo tem pressa para viabilizar de todas as formas a construção das usinas. As térmicas são estratégicas para afastar o risco de desabastecimento nas grandes cidades, pois estão mais próximas dos grandes centros do que as hidrelétricas. Ao todo, o governo estima que serão investidos US$ 8 bilhões nestas usinas, dos quais o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá financiar também até 30%.
As 49 usinas, que deverão estar concluídas em até quatro anos, deverão gerar 15 mil megawatts de energia. Estimativas do governo apontam que o programa de termelétricas deverá criar cerca de 25 mil empregos diretos na fase de implantação das usinas e 50 mil indiretos nas regiões onde serão instaladas as térmicas.


