de Brasília
O governo Fernando Henrique Cardoso analisa medidas para eliminar possíveis brechas legais que possam permitir a clonagem de seres humanos no Brasil. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, subordinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e formada por representantes de várias áreas, reuniu-se ontem para definir se é necessária alteração na lei que trata do assunto. A discussão prossegue hoje.
A lei, aprovada no ano passado, proíbe ‘‘a manipulação genética de células germinais humanas’’. Células germinais são as que constituem os embriões. Ao se multiplicar, essas células dão origem a células diferenciadas entre si, chamadas somáticas, que vão formar o tecido nervoso ou a pele, entre outros exemplos.
É autorizada pela lei brasileira a manipulação genética de células somáticas humanas, o que permite alterar e cultivar em laboratório células da pele para reimplantar em uma pessoa.
Há interpretações, porém, de que o método científico descoberto pelo cientista escocês Ian Wilmut teoricamente poderia permitir a clonagem de seres humanos no Brasil, apesar da lei em vigor.
Na experiência de Wilmut, células da mama de uma ovelha (células somáticas) se tornaram, em laboratório, células germinais. Segundo o presidente da comissão de biossegurança, Luiz Antônio de Castro, será definido hoje se é necessário mudar a lei ou sua regulamentação para impedir a clonagem de humanos.
Pode-se considerar célula germinal - e portanto de manipulação proibida - a célula que era somática e tornou-se germinal em laboratório. Se a comissão entender isso, nada mais é necessário.

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