Governo quer estados impedindo saques
Ministro da Justiça acusa governadores de não estarem colaborando com a segurança pública no Nordeste
Agência Estado
O governo federal já admite estar sem alternativas para combater os saques no Nordeste e a atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região. Como última tentativa, o ministro da Justiça, Renan Calheiros, cobrou ação dos governadores, por carta divulgada à imprensa. ‘‘Observa-se o recrudescimento da ação criminosa por um lado, e a quase absoluta ausência de colaboração da segurança pública de outro’’, diz a carta. O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, afirmou que o governo continuará pedindo prisão e inquéritos contra quem promover saques.
Mesmo criticando a atuação ‘‘política’’ do MST, Jungmann fez questão de lembrar as próximas eleições ao criticar os governadores nos estados em que, segundo acredita, ‘‘não estão sendo tomadas providências para manter o estado democrático de direito’’. Os eleitores devem diferenciar os governadores que sabem manter a ordem dentro do respeito à lei, dos que não estão, defendeu Jungmann. Não quis vincular sua crítica ao governador Miguel Arraes, de Pernambuco, que orientou a Polícia Militar a evitar confrontos com o MST: ‘‘fiz minha crítica no plural’’, disse o ministro de Política Fundiária.
O ministro da Justiça disse que, para diminuir a ação do MST no Nordeste, principalmente em Pernambuco, o governo poderia enviar aos estados tropas do Exército e a Polícia Federal. ‘‘Mas, para que isso aconteça, temos que ter autorização ou solicitação dos estados’’, disse Calheiros, ressaltando que nenhum dos nove governadores nordestinos fez qualquer solicitação neste sentido para o Palácio do Planalto.
O governador Miguel Arraes (PSB), de Pernambuco, foi o único que avisou, pela imprensa, que não quer ajuda federal nem permite confronto da polícia com o MST.
Na carta enviada aos governadores, Calheiros pede que sejam cumpridas as resoluções da reunião do Conselho de Segurança do Nordeste, realizada no dia 9 de maio, em Recife. ‘‘Vamos ser otimistas e acreditar que haverá respostas satisfatórias, mas, se não fizerem isso, não podemos fazer mais nada’’, reconhece Calheiros. Todos os secretários de segurança, superintendentes da Polícia Federal e comandantes das PMs concordaram em abrir inquéritos contra os saqueadores e quem incentivar os ataques. A não ser na Bahia e Rio Grande do Norte, onde saqueadores foram presos - alguns libertados em seguida - em nenhum outro Estado houve detenções ou abertura de inquérito. Calheiros afirma que o governo federal faz sua parte, apesar de nenhum dos inquéritos abertos até agora, ter qualquer indiciado.

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