Governo quer empenho em vacinação
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sexta-feira, 14 de agosto de 1998
Betina Bernardes Agência Folha 
O Ministério da Saúde está cobrando empenho dos municípios para a realização de uma cobertura homogênea hoje, da segunda etapa da Campanha Nacional da Multivacinação. Cerca de 740 cidades, a maioria no Nordeste e no Sudeste, não conseguiram imunizar pelo menos 90% das crianças de 0 a 5 anos contra a poliomielite na primeira etapa da campanha. Esse é o percentual de cobertura considerado mínimo pelo ministério.
Mesmo metrópoles que obtiveram uma boa média têm problemas na homogeneidade. Dos 97 distritos de São Paulo, por exemplo, 50 tiveram cobertura abaixo de 90% e 36 vacinaram mais de 100% das crianças que formam o público alvo.
A homogeneidade na imunização é o grande desafio do país nessa área hoje. Na média nacional, a vacinação contra pólio alcançou 100% das crianças na primeira etapa. No entanto, quando os dados são desdobrados por municípios, percebe-se que em alguns nem 50% das crianças foram vacinadas. O fato não chega a alterar a média nacional porque na maior parte dos casos são cidades pequenas e pouco populosas.
Há várias razões alegadas para a baixa cobertura. Em alguns casos, segundo especialistas, pode ser que o total da população de 0 a 5 anos do local seja menor do que o número calculado pelo IBGE.
Também há casos em que moradores viajam e levam os filhos para vacinar na cidade ou no distrito vizinho, pois em vários locais a cobertura fica acima de 100%. Em outras situações, a mãe simplesmente não leva o filho ao posto.
Há vários motivos para essa baixa cobertura, mas o principal talvez seja a desorganização do sistema municipal de saúde, que não consegue programar direito a campanha. Nós repassamos dinheiro para transporte, inclusive de barco e helicóptero , diz Jarbas Barbosa, diretor do Centro Nacional de Epidemiologia. Na região Norte, o principal motivo para a baixa cobertura é o difícil acesso aos postos.
É inaceitável que na região Sudeste haja tantos municípios abaixo de 90%, afirma Barbosa. Das 742 cidades, 172 são do Sudeste e 237 do Nordeste. Os Estados com mais municípios nessa situação são Minas Gerais (147) e Bahia (104). São Paulo aparece com 17 cidades na lista.
Jarbas Barbosa explica que é importante vacinar todas as crianças porque o vírus vacinal da pólio é expelido no meio ambiente por meio das fezes, formando um cinturão de proteção contra o vírus selvagem.
Para tentar melhorar a homogeneidade na vacinação, a Secretaria Estadual da Saúde do Estado de São Paulo está aumentando o número de postos e de equipes em alguns distritos da capital. Das cinco regionais em que se divide a cidade, as zonas central e centro-sul obtiveram os menores índices de cobertura: 71,5% e 65%, respectivamente.
Além da pólio, serão atualizadas as vacinas das crianças que não estejam em dia com as doses de sarampo, rubéola, caxumba, difteria, tétano, coqueluche e hepatite. A vacina contra febre amarela será aplicada somente na região Norte e no Triângulo Mineiro.


