Brasília, 21 (AE) - O governo brasileiro prepara um projeto para eliminar o uso de brometo de metila - um dos agrotóxicos mais perigosos do mundo - nas lavouras de fumo na Região Sul do País. O agrotóxico, que também destrói a camada de ozônio, serve para esterilização do solo, e as lavouras de fumo do Sul consomem 95% das 700 toneladas lançadas anualmente ao meio ambiente pelo Brasil.
Segundo a assessora do Departamento de Articulação e Mobilização Institucional do Ministério do Meio Ambiente, Lia Márcia Silva Hora, a substituição do brometo de metila está prevista no Protocolo de Montreal, assinado pelo Brasil em 1990. Os países desenvolvidos devem eliminá-lo até 2.005, enquanto os países em desenvolvimento terão prazo até 2.015 para fazer isso. O Brasil quer se antecipar e eliminar o produto até 2.004, substituindo-o por um substância orgânica.
"O brometo de metila é um agrotóxico classe um, que mata tudo e é perigosíssimo", explica a assessora. Apesar de não haver estatísticas sobre o problema, os especialistas atribuem o grande número de suicídios, provocados por depressão de trabalhadores nas lavouras de fumo no Sul, ao uso desse agrotóxico.
O projeto brasileiro para acabar com o uso de brometo de metila nas lavouras está sendo preparado pelo Comitê Executivo Interministerial, formado por representantes dos ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Agricultura, entre outros, que implementa ações para evitar a destruição da camada de ozônio e poderá ser aprovado em julho. A implementação do projeto caberá ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, que tem cinco especialistas em brometo de metila.
O custo do projeto é de US$ 28 por tonelada a ser eliminada. O brometo de metila é o único produto agrícola que está na lista dos agrotóxicos que destróem a camada de ozônio, preparada pelo Protocolo de Montreal.
A Holanda foi o primeiro país a eliminar o uso do produto, não apenas pelos danos causados à camada de ozônio, mas pela contaminação do lençol freático do país. "A Holanda sofreu contaminações terríveis de sua população por causa do brometo de metila", disse a assessora do Ministério do Meio Ambiente.

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