Brasília, 28 (AE) - O governo brasileiro pretende dobrar as exportações de carne bovina nos próximos três anos. O ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, acredita que a declaração do circuito pecuário Centro-Oeste como área livre de aftosa com vacinação permitirá um crescimento das exportações do produto, principalmente para o mercado dos Estados Unidos. Hoje, em Brasília, o ministro assinou portaria declarando o Distrito Federal, os Estados de São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso e parte de Minas Gerais - que compõem aquele circuito pecuário - como áreas livres da doença. A aftosa é um empecilho para a venda de carnes brasileiras no mercado externo.
De acordo com Pratini de Moraes, o Brasil deve fechar este ano com um total de 550 mil toneladas de carne bovina exportadas, somando um total de US$ 900 milhões em exportações do produto, incluindo exportações de carne "in natura" e carne cozida enlatada. "Vamos elevar entre 25% e 30% o volume anual de exportações de carne nos próximos três anos", afirmou.
O ministro acredita que a partir de maio será possível pleitear ao governo norte-americano uma cota específica de exportações de carne brasileira para aquele mercado. Rio Grande do Sul e Santa Catarina devem ser os Estados mais beneficiados com essa possível liberação de uma cota de exportações para os Estados Unidos, já que os dois Estados passam a ser considerados área livre de aftosa sem vacinação a partir do início do próximo ano. A produção anual dos dois Estados é de 15 milhões de toneladas de carne bovina.
Pratini também insistiu que um dos principais desafios do governo brasileiro para o próximo ano é incrementar o marketing de venda de carne brasileira no exterior. "A Argentina produz menos que o Brasil, mas consegue vender melhor sua carne no mercado externo", disse. De acordo com números do Ministério da Agricultura, a produção conjunta dos circuitos pecuários Sul e Centro-Oeste, que soma 75 milhões de toneladas/ano, supera toda a produção da Argentina, Paraguai e Uruguai juntos, que totaliza anualmente 70 milhões de toneladas.
Na solenidade de hoje, o ministro da Agricultura assinou duas portarias. A primeira declarando o circuito pecuário Centro-Oeste como área livre de aftosa com vacinação, e a segunda regulamentando os procedimentos de transporte de gado e derivados nos Estados que compõem esse circuito a partir de agora. Ainda hoje, o Ministério da Agricultura encaminharia para a Organização Internacional de Epizootias (OIE), com sede na França, os relatórios finais sobre os exames sorológicos feitos no rebanho do circuito pecuário Centro-Oeste. Esses relatórios serão examinados pelo corpo técnico da OIE, que deve declarar em maio, durante sua reunião anual, o circuito como área livre de aftosa com vacinação.

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